Post: Dólar atinge R$ 5,20 e registra maior alta em três meses

Dólar atinge R$ 5,20, o maior valor em três meses, enquanto a bolsa fecha em queda. Entenda os fatores envolvidos.
Dólar atinge R$ 5,20 e registra maior alta em três meses

Em um dia marcado por instabilidade no mercado financeiro, o dólar subiu e alcançou o maior valor em quase três meses nesta quarta-feira (24). A moeda americana fechou o dia cotada a R$ 5,202, com uma alta de 0,28%, após ter atingido a máxima de R$ 5,22 durante a manhã. Este foi o segundo pregão consecutivo de valorização e o fechamento mais alto desde 30 de março. A bolsa de valores, por sua vez, encerrou em queda de quase 0,5%, pressionada pela desvalorização das ações de empresas de petróleo e mineração.

Esse movimento de alta do dólar reflete as expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos, além da significativa queda nos preços do petróleo, que atingiu o menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Essa situação reduziu o apetite por ativos relacionados a commodities, que são bens primários com cotação internacional.

A expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, possa adotar uma postura mais restritiva em resposta a sinais de pressão inflacionária na economia americana também contribuiu para a valorização do dólar. O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), um dos principais indicadores de inflação acompanhados pelo Fed.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operava próximo aos maiores níveis em mais de um ano, acumulando uma alta de cerca de 3% no ano. No Brasil, analistas apontam que a diferença entre as expectativas de juros nos Estados Unidos e no Brasil diminuiu, o que reduziu a atratividade do carry trade, uma estratégia que se baseia nos ganhos com a diferença entre as taxas de juros nas duas economias.

Bolsa de Valores em Queda

O principal índice da B3, o Ibovespa, fechou o dia aos 170.506 pontos, com uma queda de 0,44%, após três sessões consecutivas de alta. Embora o índice tenha registrado uma leve alta pela manhã, perdeu força ao longo do dia, pressionado pela desvalorização das ações ligadas a commodities. O desempenho negativo foi acentuado pela queda nos preços do petróleo e pela valorização do dólar, que impactou negativamente os metais básicos. No entanto, ações mais voltadas ao consumo interno tiveram um desempenho positivo, beneficiadas pela redução das taxas de juros futuros.

Cenário Internacional em Foco

Os investidores também acompanharam de perto os avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da retomada gradual do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. O alívio nas tensões externas contribuiu para a redução do prêmio de risco sobre o petróleo, afetando diretamente as empresas ligadas ao setor energético. Simultaneamente, o mercado continua atento aos próximos passos do Fed e aos dados econômicos dos Estados Unidos, que podem influenciar as expectativas sobre a política monetária.

Queda nos Preços do Petróleo

O petróleo registrou sua terceira queda consecutiva, fechando no menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em resposta à expectativa de aumento da oferta global. O contrato do Brent para setembro, referência para a Petrobras, caiu 3,81%, encerrando a US$ 73,87 por barril. O barril do tipo WTI, do Texas, para agosto, recuou 3,92%, para US$ 70,34 por barril, chegando a operar abaixo de US$ 70 durante o dia. Essa queda foi impulsionada por sinais de normalização no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e por possíveis flexibilizações nas restrições ao petróleo iraniano.

Analistas observam que o mercado começou a considerar um risco menor de interrupção no fornecimento de petróleo, embora continuem acompanhando de perto a evolução das negociações geopolíticas.

*com informações da Reuters.

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