Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputados estaduais se pronunciaram nesta quarta-feira (24) sobre a recente notícia veiculada pelo jornal O Globo, que informa a abertura de uma investigação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). A investigação apura possíveis irregularidades e favorecimento ao Banco Master no credenciamento do programa Credcesta, um tipo de crédito consignado destinado a servidores públicos.
O deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil) comentou que qualquer suspeita deve ser investigada pelos órgãos competentes, mas destacou que, até o momento, não há evidências que comprovem irregularidades. “Tem que passar as informações para quem precisa. Eu acredito que as coisas foram feitas de forma clara. O governo deve oferecer todos os documentos necessários para que a investigação tenha uma definição final”, afirmou.
Dal Bosco ainda ressaltou que o sistema de crédito consignado envolve responsabilidades tanto das instituições financeiras quanto dos tomadores de empréstimos, alertando que muitos servidores acabam contraindo dívidas sem avaliar adequadamente os juros e o comprometimento de sua renda. Ele lembrou que a Assembleia Legislativa já recebeu informações sobre as instituições autorizadas a operar consignados junto aos servidores estaduais.
Outro deputado, Júlio Campos (União Brasil), expressou surpresa com a notícia e enfatizou que não é o momento para julgamentos precipitados. “Foi aberto um inquérito. Todo inquérito precisa ser investigado. Não se pode fazer pré-julgamento”, disse. Campos também lembrou que Mauro Mendes já havia se manifestado sobre as acusações, negando qualquer irregularidade. “Vamos aguardar. É muito cedo para fazer qualquer previsão do que vai ocorrer. A gente confia na palavra dele”, completou.
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) também se manifestou, afirmando que, apesar de ainda não ter conhecimento detalhado sobre a reportagem, confia no ex-governador e acredita que a verdade prevalecerá. “Ninguém está livre de ser investigado. A lei está acima de todos nós. Eu confio no Mauro Mendes e, nesse período, muitas coisas acontecem além da verdade. Então vamos aguardar os fatos e a justiça”, declarou.
A investigação em foco
Conforme a reportagem do O Globo, a investigação foi instaurada pelo STJ a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo. O objetivo é esclarecer se houve favorecimento ao Banco Master durante o credenciamento do Credcesta em Mato Grosso, em 2023. A rapidez da apuração chamou a atenção dos investigadores, especialmente após a criação de uma margem consignável específica para o programa.
Mauro Mendes nega qualquer irregularidade, afirmando que todos os atos de sua gestão seguiram os princípios legais da administração pública. Ele também defende que outras instituições financeiras foram credenciadas no mesmo período e que o Banco Master era apenas uma entre várias empresas autorizadas a atuar no Estado.
A investigação continua e, até o momento, não há decisão judicial que aponte a responsabilidade de Mauro Mendes ou de qualquer integrante de sua gestão.




