A piora no cenário inflacionário não impediu o Banco Central (BC) de continuar com o ciclo de redução da taxa de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou a decisão de cortar a Selic, que passou de 14,5% para 14,25% ao ano, com base nas “melhores práticas” de política monetária, que recomendam não reagir de forma integral a variações de preços causadas por choques de oferta. Essa abordagem considera eventos inesperados que podem impactar a economia.
banco: cenário e impactos
A decisão foi registrada na ata da última reunião do Copom, divulgada na terça-feira (23). Este foi o terceiro corte consecutivo desde março, quando a Selic estava em 15%, o maior nível em quase duas décadas. O comitê enfatizou que as flutuações de preços trazem incertezas significativas, especialmente devido às pressões do conflito no Oriente Médio sobre os preços globais de petróleo e combustíveis, além dos impactos climáticos do fenômeno El Niño.
O documento destaca que, em um cenário de elevada incerteza, o comitê reafirma a importância de agir com serenidade e cautela. Isso permitirá que as futuras decisões sobre a taxa básica de juros sejam ajustadas conforme novas informações sobre a profundidade e os efeitos dos conflitos no Oriente Médio se tornem disponíveis. O BC busca garantir a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028, que é o novo horizonte oficial estabelecido.
Em maio, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi influenciada pelo aumento dos preços dos alimentos, fechando em 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, já fora da meta de inflação, que varia de 1,5% a 4,5%. O BC ressaltou que o cenário inflacionário de curto prazo é desafiador, pressionado por leituras mais altas do IPCA corrente.
Apesar da flexibilização gradual, a ata reafirma uma postura de firme cautela. A resiliência da atividade econômica tem surpreendido positivamente, dificultando a desaceleração da inflação de serviços. O Copom analisou simulações que mostraram que trajetórias alternativas de juros poderiam levar a uma suavização macroeconômica, evitando volatilidades excessivas nos preços dos ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o BC.




