Na última quinta-feira (18), uma explosão em uma instalação de armazenamento de combustível em Moscou chamou a atenção mundial. Especialistas analisaram vídeos verificados e indicaram que o incidente pode não ter sido causado por um drone ucraniano, mas sim por um míssil de defesa aérea russo. A explosão ocorreu durante o maior ataque de drones da Ucrânia à capital russa desde o início do conflito, com as autoridades afirmando que 992 drones foram abatidos em todo o país naquele dia.
A cena da explosão, que foi amplamente divulgada nas redes sociais, mostrou o teto do silo de armazenamento sendo lançado ao ar, antes de cair em meio a uma nuvem de fumaça preta. A possibilidade de que a explosão tenha sido um erro das próprias defesas aéreas russas destaca os desafios que o país enfrenta na proteção de sua capital contra os ataques ucranianos.
Um vídeo, compartilhado inicialmente na plataforma de mídia social Douyin, mostra rastros de dois mísseis de defesa aérea sendo disparados em uma tentativa de interceptar drones ucranianos próximos à refinaria de petróleo de Kapotnia. Um dos mísseis parece ter atingido o silo de combustível, resultando na explosão. Especialistas afirmam que a trajetória do míssil é compatível com os disparos de um sistema de defesa aérea portátil, conhecido como MANPAD, que é frequentemente utilizado por soldados em combate.
Michael Clarke, especialista britânico em segurança, comentou que as evidências visuais apoiam a hipótese de que o lançamento foi realizado por um MANPAD, dada sua origem e trajetória. Outros vídeos verificados também mostram soldados disparando esses mísseis na tentativa de derrubar drones ucranianos.
Este ataque e outros semelhantes fazem parte da estratégia do presidente ucraniano Volodimir Zelenski de levar a guerra para o território russo, pressionando o presidente Vladimir Putin a buscar um acordo de paz. Tais ações ocorrem em meio a uma ofensiva ucraniana mais ampla contra instalações de petróleo e combustível na Rússia, que resultaram em filas e racionamento em postos de gasolina.
Embora a explosão em Moscou não tenha causado vítimas, o governador da região, Andrei Vorobiev, relatou a morte de uma menina de 8 anos em ataques subsequentes na sexta-feira (19). O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Putin estava recebendo atualizações sobre a situação e que os sistemas de defesa aérea estavam operando em alto nível, apesar dos desafios enfrentados.
As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio têm demonstrado que a defesa contra enxames de drones baratos é uma tarefa complexa na guerra moderna. Sistemas de defesa aérea tradicionais, como os que protegem Moscou, foram projetados para lidar com aeronaves e mísseis, mas não para os drones que estão sendo usados em grande escala por ambos os lados do conflito.
Na sexta-feira, a Rússia aparentemente reforçou suas defesas, posicionando um sistema de defesa antimísseis Pantsir próximo à rodovia onde os militares dispararam os MANPADs. Apesar disso, esses sistemas enfrentam dificuldades em neutralizar grandes enxames de drones. A Ucrânia, por sua vez, recentemente começou a produzir drones de longo alcance em grande escala, permitindo que Kiev realize ataques em massa semelhantes aos que a Rússia tem realizado contra alvos ucranianos.
A situação reflete as dificuldades que a Rússia enfrenta em interceptar os drones ucranianos, e especialistas sugerem que alternativas de baixo custo precisam ser exploradas, já que disparar mísseis de defesa aérea tradicionais contra drones pode rapidamente esgotar os estoques disponíveis. O uso de MANPADs em ambientes urbanos, como demonstrado no ataque de quinta-feira, pode ser um sinal do desespero da situação, levando a consequências imprevistas.




