Post: Colômbia vai às urnas dividida entre aliado de Petro e candidato ultradireitista

Colômbia se prepara para segundo turno eleitoral entre Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella, refletindo profundas divisões sociais.
Colômbia vai às urnas dividida entre aliado de Petro e candidato ultradireitista

A Colômbia se prepara para um segundo turno eleitoral marcado por tensões e divisões profundas. Com a votação marcada para este domingo (21), a disputa se acirra entre o esquerdista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella. A pesquisa mais recente da Atlas Intel aponta que Cepeda está 7,8 pontos percentuais atrás de Espriella, que lidera com 50,9% das intenções de voto.

A campanha eleitoral, que teve início após o primeiro turno em 31 de maio, deixou a população exausta. “Sinto que a discussão se transformou em mensagens de ódio, em vez de debates lógicos”, desabafa Diego Jaramillo, um arquiteto de 27 anos, em uma praça de Bogotá. Essa fadiga reflete a fratura social que se aprofundou nas últimas semanas, com muitos colombianos se sentindo divididos entre apoiar um candidato ou outro.

O clima atual é comparável ao das eleições em outros países da América Latina, onde a polarização política tem sido uma constante. No entanto, para os colombianos, essa situação é inédita, especialmente após a eleição de seu primeiro presidente progressista em 2022. A história política do país é marcada por décadas de conflito armado, que dizimou uma geração de líderes de esquerda.

A retórica do candidato ultradireitista, que busca se posicionar como uma alternativa à corrupção e à política tradicional, ecoa as estratégias de outros líderes da região, como Donald Trump e Jair Bolsonaro. Após vencer o primeiro turno, Espriella declarou: “Vamos celebrar a vitória dos que nunca viveram às custas do Estado, dos que nunca fizemos politicagem, contra os de sempre”. Essa abordagem visa igualar toda a classe política, que muitas vezes é vista como corrupta, e se apresentar como a solução para os problemas do país.

Enquanto isso, a campanha de Cepeda tenta se distanciar dessa polarização, buscando atrair eleitores que se sentem desiludidos com a política. Jaramillo, que se considera de centro, planeja votar em Cepeda, mas expressa preocupação com a crescente hostilidade entre os apoiadores de ambos os lados. “O adversário, seja de esquerda ou de direita, acaba se tornando um alvo militar, não um alvo político”, afirma.

Com a votação se aproximando, a expectativa é alta e a tensão palpável. A Colômbia, que já enfrentou desafios significativos em sua história recente, agora se vê em uma encruzilhada, onde o resultado das eleições pode moldar o futuro político do país por muitos anos.

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