Nos últimos 50 anos, o corpo dos jogadores de futebol passou por transformações significativas, refletindo mudanças na fisiologia e na abordagem do esporte. Especialistas apontam que a evolução dos métodos de treinamento, da medicina esportiva e das táticas de jogo impactou diretamente as características físicas dos atletas. Um estudo da Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido, revela que os jogadores estão mais altos e magros, com uma média de altura que aumentou em mais de 4 cm entre 1973 e 2013. Essa mudança é notável especialmente entre goleiros e zagueiros, enquanto meio-campistas e atacantes apresentaram uma leve redução na altura média.
O professor Orlando Laitano, especialista em fisiologia do exercício, destaca que o futebol moderno exige jogadores mais rápidos e fortes. Ele explica que, se a seleção brasileira de 1970 pudesse jogar hoje, suas jogadas seriam facilmente interceptadas devido à evolução física dos atletas contemporâneos. O jogo atual é uma verdadeira batalha por cada centímetro do campo, e a fisiologia se tornou um fator crucial para o desempenho.
Além da altura, a composição corporal dos jogadores também se alterou. O aumento do chamado Recíproco do Índice Ponderal (RIP) indica que os atletas estão se tornando mais ectomorfos, ou seja, mais altos e magros. Essa mudança é atribuída à melhoria das condições dos campos e ao aumento da carga de trabalho exigida dos jogadores. Nos anos 70, os campos eram frequentemente lamacentos, exigindo que os jogadores fossem mais musculosos. Hoje, com campos de melhor qualidade, os atletas podem manter um desempenho elevado por períodos mais longos, preservando energia.
Outro aspecto importante é a velocidade dos jogadores. Estudos mostram que, enquanto nos anos 70 e 80 os atletas raramente ultrapassavam 30 km/h, na Copa do Mundo de 2022, pelo menos 10 jogadores atingiram velocidades superiores a 35 km/h. A capacidade de correr repetidamente em alta velocidade se tornou essencial, com atacantes realizando cerca de 12 arrancadas rápidas por partida. O professor Jens Bangsbo, da Universidade de Copenhague, enfatiza que o futebol atual é uma questão de recuperação, onde a habilidade de se recuperar rapidamente entre os sprints é fundamental.
Curiosamente, apesar do aumento na intensidade do jogo, a distância média percorrida pelos jogadores não aumentou significativamente. Nos anos 70, a média era de 8,7 km por partida, atingindo um pico de 11,4 km nos anos 90, mas caindo para 10,6 km na Copa do Mundo de 2022. Isso sugere que, embora a velocidade e a intensidade tenham aumentado, a estratégia de jogo e a eficiência nas movimentações têm se tornado mais relevantes.
Os dados também indicam que os jogadores estão participando de mais partidas ao longo do ano, com uma média de 42 jogos por clube. No entanto, essa sobrecarga pode levar a um aumento no risco de lesões, exigindo que os clubes adotem melhores práticas de recuperação e preparação física. A evolução do corpo dos jogadores de futebol, portanto, não é apenas uma questão de altura e velocidade, mas também de adaptação às novas exigências do esporte.



