Post: Mulher de Serra Leoa passa seis meses em aeroporto de Belém; Justiça determina assistência do governo

imigração - Mulher de Serra Leoa dorme há seis meses no aeroporto de Belém; Justiça determina assistência do governo para embarque ao Panamá.
Mulher de Serra Leoa passa seis meses em aeroporto de Belém; Justiça determina assistência do governo

Uma mulher de Serra Leoa, identificada como Fatmata Sessay, de 56 anos, tem passado as últimas seis meses no Aeroporto Internacional de Belém, após ter seu passaporte roubado na capital paraense. A imigrante, que estava a caminho do Panamá para encontrar seu filho de 15 anos, enfrentou uma série de dificuldades durante sua jornada, incluindo assaltos em diferentes países da América do Sul.

Desde sua chegada a Belém, em dezembro do ano passado, Sessay tem dormido no saguão do aeroporto e se alimentado em um espaço de acolhimento municipal. Recentemente, ela recebeu uma boa notícia: o Ministério Público do Pará providenciou uma passagem para que ela embarque na próxima segunda-feira (22) rumo ao Panamá. Ao saber da novidade, Fatmata não conseguiu conter as lágrimas de gratidão.

“Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada. Se Deus quiser, vou encontrar meu filho e recomeçar a vida”, desabafou ela ao promotor Nadilson Portilho, que acompanha seu caso. O promotor informou que a passagem foi comprada e que, até a data do embarque, a equipe continuará a auxiliar Sessay na obtenção do visto e da carteira de vacinação internacional.

Na sexta-feira (19), a Justiça Federal no Pará acatou um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que o governo estadual e o Itamaraty prestem assistência consular a Sessay, garantindo que ela receba os documentos necessários em até 48 horas.

A trajetória de Fatmata até o Brasil é marcada por desafios. Ela saiu de São Paulo, onde residia há 18 anos, e viajou sozinha. Durante sua jornada, foi assaltada no Peru, onde perdeu seus pertences e a passagem que havia conseguido para o Panamá. Após ser ajudada por voluntários, ela chegou a Suriname, de onde embarcou para Belém.

“Fui roubada e as pessoas me ajudaram. Cheguei ao Suriname e compraram uma passagem para Belém, dizendo que seria mais fácil conseguir a passagem para o Panamá daqui”, contou Sessay. No entanto, ao chegar a Belém, ela enfrentou outro assalto, onde teve seu passaporte novamente roubado, o que a impediu de embarcar em uma passagem doada anteriormente.

As circunstâncias desse segundo assalto ainda não estão claras, e a Folha de S.Paulo solicitou esclarecimentos à Polícia Federal, mas não obteve retorno até o momento. O caso de Fatmata Sessay destaca a vulnerabilidade dos imigrantes e a necessidade de assistência adequada em situações de emergência.

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