Post: A importância dos passes dos zagueiros: eficiência ou segurança?

futebol - Entenda a importância dos passes dos zagueiros e como a eficiência pode refletir segurança em campo.
A importância dos passes dos zagueiros: eficiência ou segurança?

A discussão sobre a eficiência dos passes realizados pelos zagueiros ganhou destaque após a Copa do Mundo, especialmente com a performance do zagueiro Chris Richards, dos Estados Unidos, que acertou 100% de seus 84 passes em um jogo contra o Paraguai. Essa estatística, celebrada pelo USA Today, levanta questões sobre o real significado de uma “noite perfeita” em campo, já que, ao analisarmos mais a fundo, percebemos que a maioria dos passes foi feita em direção a trás ou para os lados, o que sugere uma abordagem cautelosa e pouco arriscada.

A porcentagem de passes corretos, frequentemente destacada nas transmissões de TV, pode enganar. Embora um número elevado possa parecer impressionante, ele não necessariamente reflete a habilidade de um jogador em criar oportunidades de gol. Zagueiros, por natureza, tendem a priorizar a segurança em suas jogadas, entregando a bola a jogadores mais ofensivos que têm a responsabilidade de arriscar mais. Assim, a eficiência dos passes dos zagueiros pode ser mais uma questão de estratégia do que de habilidade pura.

Uma alternativa mais adequada para avaliar a contribuição dos zagueiros no jogo é o número de assistências, ou seja, passes que resultam em gols. No entanto, essa métrica também tem suas limitações, pois depende não apenas da qualidade do passe, mas também da finalização do jogador que recebe a bola. Um passe bem executado pode não resultar em assistência se o atacante não conseguir finalizar com sucesso, enquanto um passe ruim pode acabar levando a um gol devido a uma boa finalização.

Para superar essas limitações, especialistas em análise de desempenho têm utilizado a métrica chamada xT, que significa “expected threat” ou “ameaça esperada”. Essa métrica considera a localização da bola em campo e a probabilidade de um passe resultar em gol a partir daquele ponto. Por exemplo, um passe dado na entrada da área adversária tem um xT maior do que um passe feito na defesa, o que significa que a chance de um gol é maior a partir de uma posição mais avançada.

Voltando ao caso de Chris Richards, dos 84 passes que ele fez, apenas quatro (5%) contribuíram para melhorar a posição do time em termos de xT. Em contraste, o zagueiro suíço Manuel Akanji, em uma partida contra o Qatar, teve 22 de seus 102 passes (21%) aumentando as chances de gol da sua equipe. Isso demonstra que, em geral, zagueiros não são os melhores passadores em termos de criação de oportunidades, enquanto meias tendem a se destacar nessa métrica.

A análise de passes arriscados, portanto, é crucial para entender o impacto de um jogador em campo. Jogadores que tentam passes mais ousados, mesmo que com uma taxa de acerto menor, podem ser mais valiosos em termos de criação de oportunidades de gol. Exemplos como Toni Kroos, Antoine Griezmann, Kevin De Bruyne e Neymar mostram que a ousadia pode resultar em jogadas decisivas, enquanto muitos zagueiros, como Chris Richards, podem optar por uma abordagem mais conservadora, priorizando a segurança em suas decisões.

Em resumo, a eficiência dos passes dos zagueiros é um tema complexo que vai além da simples contagem de acertos. A análise deve considerar o contexto do jogo, a posição da bola e a intenção por trás de cada passe. Enquanto alguns jogadores podem ser considerados sensatos por sua cautela, outros se destacam pela ousadia e pela capacidade de criar situações de gol. A verdadeira medida de um bom passador pode não ser apenas a porcentagem de passes corretos, mas sim a habilidade de contribuir para a dinâmica ofensiva da equipe, equilibrando segurança e risco em suas ações em campo.

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