Post: G7 conclui cúpula de Évian com adesão parcial do Brasil a documentos

G7 encerra cúpula de Évian com adesão parcial do Brasil a documentos sobre proteção de menores e minerais críticos.
G7 conclui cúpula de Évian com adesão parcial do Brasil a documentos

O G7 encerrou nesta quarta-feira (17) a cúpula de Évian, na França, apresentando os últimos três documentos que abordam temas como a proteção de menores no ambiente digital, a segurança das cadeias de fornecimento de minerais críticos e o crescimento econômico equilibrado. O Brasil, que já havia demonstrado uma adesão parcial desde o início do encontro, endossou apenas a declaração sobre a proteção de menores, ficando de fora das outras duas declarações.

A declaração referente aos minerais críticos, que teve a Austrália como único país parceiro signatário, sugere a redução da dependência de um único fornecedor fora do G7 para terras raras e ímãs permanentes a menos de 60% até 2030. Além disso, foi criada uma “Aliança de Resiliência e Produção de Minerais Críticos” entre os membros do grupo. A ausência do Brasil, um dos maiores detentores de reservas de terras raras do mundo, reflete a percepção do governo brasileiro de que o documento tem um caráter extrativista e geopolítico, favorecendo uma coalizão ocidental sem considerar os direitos dos países produtores de agregar valor às suas próprias cadeias produtivas.

Por outro lado, a declaração sobre o crescimento equilibrado, que conta com a participação de Egito, Quênia e Coreia do Sul, aborda os desequilíbrios macroeconômicos globais e a necessidade de países com superávits externos estimular a demanda interna. O texto também destaca a urgência de reabrir o estreito de Hormuz sem qualquer tipo de cobrança. O Brasil não assinou essa declaração, uma vez que a avaliação do governo é de que o documento atribui os desequilíbrios globais principalmente à China, sem mencionar os impactos do unilateralismo comercial e dos conflitos internacionais nas cadeias produtivas.

A única exceção foi a declaração sobre a proteção de menores, que teve o apoio do Brasil, ao lado de países como Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul. Este documento solicita que provedores de serviços digitais implementem configurações seguras por padrão, mecanismos de verificação de idade e controles parentais, além de abordar os riscos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial por crianças e adolescentes. Também reafirma o compromisso de proibir a geração e distribuição de material de abuso sexual infantil, incluindo deepfakes. A adesão brasileira a esse documento era esperada, já que o país possui legislação própria sobre o tema e demonstrou interesse em compartilhar sua experiência regulatória durante as discussões.

Com a divulgação dos últimos documentos, a cúpula de Évian se encerra com um total de oito documentos temáticos, além de um sobre riscos geopolíticos, que foi negociado apenas entre os membros permanentes do G7. O Brasil aderiu a três documentos — sobre câncer, narcotráfico e proteção de menores — e ficou de fora de cinco, incluindo parcerias internacionais para o desenvolvimento e combate ao narcotráfico. Essa dinâmica evidencia a posição do Brasil em relação a temas que considera prioritários e a sua estratégia de atuação em fóruns internacionais.

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