Post: Crescimento histórico: cartórios registram aumento de 569% nas cobranças de condomínio em 2025

Em 2025, cartórios no Brasil registraram um aumento de 569% nas cobranças de condomínio, refletindo uma nova abordagem na gestão de dívidas.
Crescimento histórico: cartórios registram aumento de 569% nas cobranças de condomínio em 2025

O cenário de inadimplência em condomínios brasileiros passou por uma transformação significativa em 2025, com um aumento expressivo no número de dívidas enviadas a cartórios para cobrança. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB), foram registrados 100.815 documentos de cobrança, um salto impressionante de 569% em comparação aos 15.071 registros do ano anterior. Este crescimento marca o maior aumento desde o início da série histórica, que começou em 2020.

Em termos financeiros, o valor total das dívidas encaminhadas para protesto também cresceu substancialmente, passando de R$ 29,5 milhões em 2024 para R$ 199,4 milhões em 2025, uma alta de 577%. Essa mudança nos números reflete uma nova abordagem adotada por síndicos e administradoras de condomínios na gestão da inadimplência. Em vez de recorrer diretamente ao sistema judiciário, muitos gestores têm optado por encaminhar débitos em atraso aos cartórios de protesto, uma estratégia que pode resultar em restrições de crédito para os devedores.

O levantamento revelou que 35,7% das dívidas apresentadas em 2025 foram resolvidas de alguma forma, seja por pagamento, acordo entre as partes ou cancelamento da cobrança. Ao todo, 34.528 débitos foram solucionados, permitindo a recuperação de aproximadamente R$ 70 milhões. Os dados indicam que muitos pagamentos ocorrem logo após o início do processo de cobrança; quase 15% das dívidas resolvidas foram quitadas nos três primeiros dias após a notificação do devedor, enquanto 16% foram pagas após a efetivação do protesto.

André Gomes Netto, presidente do IEPTB, destacou que esses números refletem uma mudança no comportamento na gestão financeira dos condomínios. “A dívida está sendo cobrada mais cedo e, por isso, sendo paga mais rápido”, afirmou. A utilização dos cartórios permite uma redução na dependência de ações judiciais, que costumam ser demoradas e onerosas.

Apesar do aumento na recuperação de créditos, a realidade ainda é preocupante: cerca de 61% das dívidas levadas a protesto em 2025 permaneciam sem pagamento ao final do período. Os devedores que não quitam suas dívidas podem enfrentar dificuldades para obter empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito.

Os dados mais recentes indicam que essa tendência de alta deve continuar em 2026. No primeiro trimestre deste ano, já foram encaminhadas 26.866 dívidas condominiais a protesto, totalizando R$ 42,8 milhões. Nesse mesmo período, 7.112 títulos foram resolvidos, o que sugere que a pressão sobre os devedores continua a aumentar.

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