Um estudo recente da FecomercioSP revelou que 35% dos paulistanos estão apostando online com o objetivo de aumentar sua renda. Este percentual representa um crescimento significativo de 10 pontos percentuais em relação a 2024. A pesquisa destaca que, entre os indivíduos com renda de até dois salários mínimos, o número de apostadores sobe para 40%, enquanto para aqueles com rendas superiores, a taxa é de 30%. A FecomercioSP ressalta que a situação financeira dos apostadores é um fator crucial. “Pessoas em situação de vulnerabilidade financeira têm recorrido cada vez mais a esse tipo de consumo de risco como uma maneira de superar as dificuldades do orçamento”, afirma a entidade. Além do desejo de aumentar a renda, 37% dos entrevistados afirmam apostar por diversão, 16% por entretenimento e 7% por estarem viciados. O levantamento também mostra que a percepção de apostas como forma de investimento caiu de 9% em 2024 para apenas 5% em 2026. A frequência das apostas também foi analisada: 14,5% dos entrevistados apostam diariamente, 23% semanalmente, 13% mensalmente e 49% raramente. A pesquisa revela que 41% dos apostadores estão utilizando recursos que, se não fossem direcionados às apostas, seriam gastos em atividades de lazer. Outros 20% afirmam que esse dinheiro seria usado para o pagamento de contas, 19% para economizar, 12% para alimentação e 9% para roupas e calçados. Entre as mulheres, 18% utilizariam o dinheiro para alimentação, em comparação a 11% dos homens. As mulheres também tendem a destinar mais recursos ao pagamento de contas (18% contra 13% dos homens), enquanto 28% dos homens afirmam guardar o dinheiro, contra 18% das mulheres. Um dado alarmante da pesquisa é que 12% dos paulistanos buscaram ajuda financeira para continuar apostando. Desses, 5% pediram dinheiro emprestado a amigos ou familiares, e 4% recorreram a empréstimos bancários. “Esse é um dos dados mais sensíveis da pesquisa, pois revela que 1 em cada 10 paulistanos já enfrentou problemas financeiros devido às apostas e precisou recorrer a terceiros para regularizar a situação”, destaca a FecomercioSP. A pesquisa também aponta que mais da metade (54%) dos entrevistados não gasta mais do que R$ 50 por mês em apostas. Enquanto 16% gastam até R$ 100 e 12% até R$ 200. A análise da FecomercioSP é pessimista: os dados refletem uma cidade, e um país, afetados socioeconomicamente. A crescente exposição das plataformas de apostas nas redes sociais e a popularização dos meios de pagamento instantâneos, como o Pix, têm contribuído para esse cenário. A federação conclui que a acessibilidade das novas plataformas de apostas, especialmente através de smartphones, tem ampliado o alcance desse fenômeno, que pode ter consequências significativas para a saúde financeira da população.



