Post: 7 de setembro: a verdadeira história da Independência do Brasil

Descubra a verdadeira história da Independência do Brasil, celebrada em 7 de setembro, e seu impacto ao longo dos anos.
7 de setembro: a verdadeira história da Independência do Brasil

O dia 7 de setembro é celebrado no Brasil como o Dia da Independência, marcando a ruptura política com Portugal que começou oficialmente em 1822. Entretanto, essa data representa apenas um dos momentos de uma transformação que se iniciou antes e se consolidou anos depois. Mais de dois séculos após o evento, o feriado continua a ser um dos principais símbolos da história brasileira.

A Independência do Brasil, proclamada por Dom Pedro I às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, é frequentemente referida como o Grito do Ipiranga. No entanto, segundo Sérgio Czajkowski Jr., professor de história, esse episódio deve ser contextualizado dentro de um cenário mais amplo, influenciado por ideias do Iluminismo, pela ascensão da burguesia europeia e pela Revolução Francesa, além das mudanças provocadas pelas guerras napoleônicas.

A invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte em 1808 forçou a família real portuguesa a se transferir para o Brasil. Em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. A permanência de Dom Pedro no Brasil, junto ao crescente descontentamento entre as elites locais e as Cortes portuguesas, foi crucial para o processo que culminou na separação.

O professor Czajkowski destaca que a Independência não foi resultado de um único acontecimento. O Dia do Fico, em janeiro de 1822, quando Dom Pedro decidiu ficar no Brasil apesar das ordens para retornar a Portugal, é um exemplo disso. “O 7 de setembro é um marco, mas faz parte de um processo que começou antes e continuou depois dele”, explica.

A separação não resultou em uma ruptura imediata em todos os aspectos. Portugal só reconheceu oficialmente a independência brasileira em 1825, e a estrutura social do país permaneceu praticamente inalterada, com a escravidão continuando e o poder concentrado nas elites.

A famosa imagem de Dom Pedro proclamando “Independência ou Morte” é uma representação posterior, e não um registro fiel do evento. A pintura de Pedro Américo, criada em 1888, ajudou a consolidar uma versão heroica da história, mas não deve ser confundida com a realidade do momento. É provável que Dom Pedro estivesse montado em uma mula, não em um cavalo, como retratado nas obras de arte.

O 7 de setembro é um feriado nacional, estabelecido pela Lei nº 662, de 1949, e mantido pela Lei nº 10.607, de 2002. Isso significa que os trabalhadores têm direito ao descanso, embora algumas atividades, como comércio e serviços essenciais, possam funcionar, respeitando as regras legais e acordos coletivos.

A principal tradição do feriado é a realização de desfiles cívico-militares em várias cidades do Brasil, que também incluem cerimônias oficiais e apresentações das forças de segurança. Ao longo dos anos, a forma de celebração mudou, com os desfiles escolares perdendo espaço e as Forças Armadas assumindo maior protagonismo.

Além das comemorações oficiais, o feriado é utilizado para manifestações políticas. Em São Paulo, por exemplo, um ato convocado por lideranças da direita está programado para este 7 de setembro, com o lema “Fora Lula, Fora Moraes”. Essa mobilização reflete a transformação do feriado em uma data para expressar oposição ao governo e ao Judiciário.

O 7 de setembro, portanto, não é apenas uma data de celebração, mas também um momento de reflexão sobre a história e as complexidades da formação do Estado brasileiro. Com o passar dos anos, a importância do feriado se mantém, mas seu significado e as formas de celebração continuam a evoluir.

Últimas Notícias