Post: Venezuela: regime é acusado de politizar ajuda após terremotos devastadores

Após terremotos devastadores, regime da Venezuela é acusado de politizar ajuda humanitária, enquanto oposição enfrenta resistência policial.
Venezuela: regime é acusado de politizar ajuda após terremotos devastadores

A recente tragédia na Venezuela, marcada por dois terremotos que resultaram na morte de pelo menos 1.450 pessoas, trouxe à tona uma intensa disputa política sobre a ajuda humanitária. Críticos do regime, como a líder interina Delcy Rodríguez, foram acusados de usar a situação para consolidar sua legitimidade em um momento de crise. Enquanto isso, o partido de oposição, liderado pela ex-legisladora e ganhadora do Nobel María Corina Machado, mobilizou esforços para arrecadar doações, enfrentando resistência da Polícia Nacional, que tentou encerrar suas atividades.

Na última quinta-feira (25), Heidy Loicett, uma das líderes do partido Vente, relatou que a polícia interrompeu a arrecadação de doações em Portuguesa, um estado a cerca de 440 quilômetros da zona afetada. Segundo ela, as autoridades afirmaram que todas as doações deveriam ser canalizadas exclusivamente pelo governo federal, caracterizando a situação como uma “perseguição política”. “Disseram que não podíamos ter um centro de arrecadação, que o único ponto autorizado para receber doações era a Defesa Civil e o governo”, explicou Loicett.

A disputa pela ajuda humanitária reflete uma batalha mais ampla pela sobrevivência política em um país dividido. O governo de Rodríguez, que não comentou sobre as acusações, justificou suas ações como uma tentativa de manter a ordem e garantir que as equipes de emergência pudessem trabalhar sem impedimentos. No entanto, críticos temem que a líder interina esteja usando a tragédia para fortalecer sua posição, especialmente após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos militares dos EUA.

A Casa Branca, que mantém uma aliança com Rodríguez, vê a estabilização da Venezuela como uma prioridade, mas a resposta a essa crise poderá testar essa relação. Especialistas afirmam que a restrição do controle sobre a ajuda e a obstrução dos esforços da oposição são táticas comuns em regimes autoritários. Rodríguez pode estar apostando que a gestão internacional da crise ajudará a desviar a atenção da deterioração interna do Estado.

Ativistas políticos relataram que centros de coleta de doações da oposição foram instruídos a não usar termos como “centro de doação”, que seriam considerados exclusivos do regime. “É inevitável que tentem usar essa tragédia a seu favor para se manterem no poder”, afirmou María Oropeza, dirigente do partido Vente. Apesar da resistência, os voluntários conseguiram continuar suas operações após a mobilização de apoiadores e filmagens que chamaram a atenção para a situação.

Os voluntários da oposição planejam realizar entregas na zona afetada, mas as autoridades já anunciaram que civis não autorizados seriam proibidos de entrar em La Guaira, a área costeira mais atingida. O governo argumenta que a presença de voluntários não autorizados está bloqueando o tráfego necessário para a movimentação de maquinário pesado e equipes de resgate. Rodríguez pediu unidade em meio à crise e recebeu delegações internacionais para ajudar nas operações de busca e resgate, incluindo aquelas enviadas por governos de direita como El Salvador e Argentina.

Diante desse cenário, a luta pela ajuda humanitária na Venezuela se transforma em um campo de batalha político, onde cada lado busca não apenas atender às necessidades imediatas da população, mas também garantir sua própria sobrevivência política em um contexto de crescente instabilidade.

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