No dia 24 de junho, a Venezuela foi abalada por dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, que deixaram um rastro de destruição e dor. O impacto foi sentido em diversas regiões do país, especialmente na cidade de La Guaira, onde muitos jogadores de futebol se tornaram vítimas e voluntários em meio ao caos. O clube Marítimo de La Guaira estava em Caracas para um jogo contra o Deportivo Miranda pela Copa da Venezuela, que foi cancelado devido aos desastres naturais. Enquanto os jogadores estavam na capital, a cidade de La Guaira, onde muitos deles residem, foi severamente afetada, resultando em mortes e desabamentos.
O zagueiro argentino **Lucas Trejo**, de 38 anos, é um dos jogadores que enfrentou a tragédia de perto. Ele perdeu a esposa e os filhos no desastre. Outro jovem atleta, **Yimvert Berrotean**, de apenas 17 anos, da base da UCV (Universidad Central de Venezuela), também foi uma das vítimas, falecendo em um apartamento em La Guaira junto com sua namorada. O dia do terremoto era um feriado na Venezuela, o que significava que muitos estavam em casa, aproveitando o dia livre, o que aumentou o número de vítimas.
**Jair Pineda**, proprietário da plataforma digital LNE e jornalista que cobre o futebol venezuelano, relatou que a situação foi devastadora. Ele utilizou sua plataforma para ajudar os jogadores que buscavam seus familiares ou precisavam de assistência. “Foi um trabalho muito forte. Muitos perderam suas casas ou não tinham meios para sobreviver. Usei as redes sociais para informar sobre o que precisavam, onde havia centros de apoio etc.”, disse Pineda. Ele estima que ajudou entre 100 a 150 jogadores, incluindo aqueles que vivem em La Guaira e Caracas, além de atletas que jogam em outras partes do país, mas têm familiares nas áreas afetadas.
Além de buscar ajuda, muitos jogadores se envolveram diretamente nas operações de resgate. “Não havia muita ajuda por parte do governo venezuelano, então jogadores também estiveram nas buscas, arrecadaram e levaram insumos a La Guaira, Morón, El Junquito e Caracas, alguns dos lugares mais afetados”, afirmou Pineda. A resposta da comunidade foi rápida, com uma onda de solidariedade emergindo nas horas seguintes aos terremotos. Pessoas de Caracas e de outras regiões do país se mobilizaram para ajudar, enviando caminhões com suprimentos e oferecendo apoio nas buscas.
Em Valência, uma cidade a 150 km de Caracas que também sentiu os tremores, a solidariedade é visível. Lojas expõem mensagens de apoio, como “En los momentos más difíciles, la mayor fuerza de Venezuela es su gente. Unidos nos levantaremos!”. Na avenida Monseñor Adans, um telão promove um centro de acopio, que concentra ajuda destinada às áreas mais afetadas, informando sobre o local de coleta.
Enquanto isso, Caracas tenta retornar à normalidade. Pineda, que é da capital, observa que as pessoas estão tentando retomar suas rotinas, embora o ambiente ainda seja de desolação. “Ainda se sente um ambiente desolador, com as pessoas consertando suas casas e outros que perderam familiares”, relata. O futebol, que por um mês ficou suspenso, foi retomado na terça-feira (21), com a vitória do Santos por 4 a 1 sobre a UCV pela Sul-Americana, mas a lembrança da tragédia ainda pesa sobre todos os envolvidos.




