Post: Venezuela: governo e oposição firmam acordo para fortalecer a democracia

Venezuela anuncia acordo entre governo e oposição para fortalecer a democracia, após queda de Maduro e terremotos devastadores.
Venezuela: governo e oposição firmam acordo para fortalecer a democracia

Em um movimento significativo para a política venezuelana, o regime do país anunciou um plano de colaboração com setores da oposição, visando o fortalecimento da democracia. O acordo, que será implementado a partir de agosto, surge após a queda de Nicolás Maduro e busca estabelecer uma agenda de transição política. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, fez o anúncio em meio a um contexto de instabilidade, marcado por terremotos que devastaram o país e deixaram milhares de mortos.

A líder opositora exilada, Dinorah Figuera, esteve em Caracas recentemente para dialogar com representantes do governo interino, liderado por Delcy Rodríguez. Durante essa visita, Figuera, que conta com o apoio dos Estados Unidos, se reuniu com Jorge Rodríguez e outros líderes da oposição. O objetivo é criar uma agenda conjunta que priorize o fortalecimento das instituições democráticas e a restauração das garantias para a participação política.

Figuera, que preside uma comissão representativa da Assembleia Nacional eleita entre 2015 e 2020, destacou em suas redes sociais o compromisso de promover um roteiro técnico e político que permita abordar questões fundamentais para a recuperação da democracia na Venezuela. O Parlamento, embora tenha sido esvaziado politicamente sob o regime de Maduro, ainda é reconhecido por Washington como o órgão legislativo legítimo do país.

Recentemente, o Parlamento retomou suas atividades em uma sede alternativa, devido aos danos sofridos no Palácio Legislativo após os terremotos. Jorge Rodríguez informou sobre a morte de uma deputada e sua filha durante os sismos, prestando homenagem a Jessica Carolina de León.

Enquanto isso, María Corina Machado, uma das principais figuras da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, permanece em exílio e ainda não se manifestou sobre os desenvolvimentos das negociações. Ela havia reivindicado a vitória do opositor Edmundo González Urrutia nas eleições de 2024, que foram marcadas por alegações de fraude.

Após a prisão de Maduro, atualmente detido em Nova York sob acusações de narcotráfico, tanto María Corina quanto González Urrutia têm defendido a realização de novas eleições presidenciais. A insistência de María Corina em retornar ao país, no entanto, é vista por especialistas como um movimento que vai contra os interesses de Washington, que a considera cada vez mais marginalizada no processo de transição política.

Delcy Rodríguez, que assumiu o poder interinamente após a queda de Maduro, tem enfrentado pressão internacional e implementado reformas nos setores de mineração e petróleo, buscando atrair investimentos estrangeiros. Em um sinal de reaproximação, Washington e Caracas concordaram em restabelecer relações diplomáticas e consulares, após anos de ruptura. Recentemente, Delcy nomeou Félix Plasencia como novo chanceler e unificou os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Exterior, sinalizando uma nova fase nas relações internacionais da Venezuela.

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