A tecnologia do VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) tem sido uma protagonista na Copa do Mundo de 2026, com uma impressionante taxa de 95% de alterações nas decisões dos árbitros de campo. Segundo uma análise realizada pela Folha com dados da Opta, o VAR interveio em 42 dos 44 lances revisados durante a fase de grupos, refletindo um aumento significativo em comparação com a edição anterior do torneio, no Qatar, onde a taxa de alteração foi de 92%. Nesta edição, o VAR foi acionado em metade dos jogos da fase inicial, totalizando 44 revisões distribuídas em 36 partidas. Algumas delas, como os confrontos entre Estados Unidos e Austrália, Espanha e Cabo Verde, e Canadá e Catar, tiveram mais de uma revisão. O uso do VAR se mostrou crucial para a correção de decisões, especialmente em escanteios, que representaram 21 das 44 intervenções. Os árbitros de vídeo utilizam imagens captadas por câmeras distribuídas pelo campo e dados de movimento da bola oficial, a Trionda, para analisar os lances. Quando há discordância em relação a uma decisão do árbitro em campo, o VAR sugere correções, permitindo uma comunicação direta com o juiz, sem a necessidade de interromper o jogo ou consultar o monitor de apoio. Essa nova abordagem foi implementada nesta Copa, após a aprovação do Ifab (Conselho da Associação Internacional de Futebol) em fevereiro, permitindo que o VAR auxiliasse o árbitro em situações de evidências claras, desde que isso não atrasasse a partida. Além de escanteios, o VAR também revisou expulsões por segundo cartão amarelo, erros de identificação de jogadores punidos e infrações antes do início de jogadas. Um exemplo notável ocorreu na partida entre Brasil e Marrocos, onde um escanteio inicialmente concedido ao Brasil foi revertido para um tiro de meta após revisão. Na estreia da Argentina na Copa, um gol da Argélia foi anulado após a análise de impedimento semiautomático, que identificou que o jogador Farès Chaïbi estava à frente da linha permitida. A Argentina venceu a partida por 3 a 0, com destaque para Lionel Messi. O Brasil também teve um gol anulado por falta, quando uma jogada que parecia resultar em gol foi interrompida devido a uma infração cometida por Vini Jr. O VAR também teve um papel importante na aplicação do segundo cartão vermelho do torneio, na partida entre México e África do Sul, onde uma falta cometida por Zwane resultou na expulsão do jogador sul-africano. O jogo terminou com uma vitória do México por 2 a 0, e três cartões vermelhos foram aplicados. A revisão do VAR confirmou apenas duas decisões dos árbitros de campo durante a fase de grupos, evidenciando a influência e a importância dessa tecnologia no futebol moderno, que continua a evoluir e a impactar o jogo de maneiras significativas.




