Na Copa do Mundo de 2026, Donald Trump passou de uma postura de indiferença a uma ativa interferência na competição, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos intensificaram suas ações militares no Irã. O ex-presidente, que não compareceu aos jogos, utilizou o torneio como um palco para sua política externa, influenciando eventos e reações ao longo do Mundial.
Em 2018, durante a disputa para sediar a Copa, Trump via o evento como uma oportunidade de projeção política. À época, ele estava em seu primeiro mandato e já utilizava redes sociais para pressionar a favor da candidatura conjunta dos Estados Unidos, Canadá e México. Com o lema “America First”, buscava garantir apoio para a escolha do país como anfitrião do torneio.
O ex-presidente chegou a alertar outros países sobre as consequências de não apoiarem a candidatura americana, afirmando que seria uma “pena” se nações que sempre receberam apoio dos EUA fizessem lobby contra a proposta. Embora Carlos Cordeiro, então presidente da US Soccer, tenha minimizado a declaração, ressaltando que o futebol transcende a política, a influência de Trump sobre o evento se consolidou ao longo dos anos.
Retornando à Casa Branca antes do Mundial, Trump se aproximou de Gianni Infantino, presidente da FIFA, e participou de eventos relacionados ao torneio, recebendo até mesmo o Prêmio da Paz da entidade. No entanto, o contexto político estava longe de ser pacífico. A política externa dos Estados Unidos se intensificou, culminando em uma invasão à Venezuela e no início de um conflito militar no Irã, que se agravou durante a Copa.
Os bombardeios americanos ao Irã, que ocorreram enquanto o torneio ainda estava em andamento, trouxeram à tona a intersecção entre esporte e política, evidenciando como eventos esportivos podem ser utilizados para fins de propaganda e afirmação de poder. A participação da seleção americana na competição, marcada por controvérsias, refletiu as tensões geopolíticas que permeavam o cenário internacional na época.
O Mundial, portanto, não foi apenas um evento esportivo, mas um campo de batalha simbólico para a política de Trump, que, em sua busca por reafirmar a presença americana no cenário global, utilizou a Copa como uma extensão de sua estratégia de governo, mostrando que, para ele, o esporte e a política estão intrinsecamente ligados.




