O Tesouro Nacional realizou nesta quinta-feira (2) leilões de títulos prefixados, com lotes considerados robustos pelo mercado. Após a oferta, os juros futuros dispararam, embora analistas ainda não consigam estabelecer uma correlação clara entre o leilão e a movimentação na curva de juros.
Foram disponibilizados 20 milhões de LTNs (Letra do Tesouro Nacional, conhecidas como Tesouro Prefixado) e 2,65 milhões de NTN-Fs (Nota do Tesouro Nacional Série F, que oferece juros semestrais). No caso das LTNs, 9 milhões tinham vencimento em 2028, 8 milhões em 2029 e 3 milhões em 2032. Entre as NTN-Fs, 3 milhões eram de prazo para 2031, 150 mil para 2033 e 500 mil para 2037. Todos os títulos foram vendidos, com liquidação programada para esta sexta-feira (3).
Na terça-feira, o Tesouro também havia realizado um leilão mínimo de 150 mil NTN-Bs, os populares Tesouro IPCA+, que rendem a variação da inflação mais um ganho fixo. Os leilões da manhã de quinta ocorreram por volta das 11h30. A curva de juros, que estava em baixa, rapidamente se inclinou para cima, com alguns vencimentos apresentando alta em torno de 0,2 ponto percentual na taxa.
Às 15h30, a taxa para janeiro de 2029 subia para 14,42%, um aumento de 0,16 ponto percentual. O vencimento para janeiro de 2032 avançava para 14,55%, alta de 0,18 ponto, enquanto o prazo para janeiro de 2035 marcava 14,51%, valorização de 0,15 ponto.
“Aparentemente, o leilão e o volume de notícias fiscais negativas que vêm se acumulando nos últimos dias estão influenciando o mercado”, afirma Marcos de Marchi, economista-chefe da Oriz Partners. “O mercado está muito machucado e o Tesouro está realizando leilões, mesmo com pedidos de recompra.”
Além disso, a corrida eleitoral também é vista como um fator que contribui para a reversão do movimento. Um levantamento da Atlas Intel/Bloomberg, divulgado na véspera, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela presidência. Lula conta com 48,8% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio tem 42,3%. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
No geral, Lula ainda é visto com desconfiança por uma parte significativa do mercado, que acredita que sua reeleição pode dificultar o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação, mantendo a Selic em patamares elevados. Além disso, um instituto de pesquisa divulgou que o envolvimento de Jaques Wagner, então líder do PT no Senado, no caso Master afeta diretamente a percepção do presidente Lula para 37,8% do eleitorado. Outros 23,5% afirmam que o impacto é neutro. Já 59,6% dos eleitores acreditam na acusação de Michelle Bolsonaro de que Flávio a desrespeitou.




