O governo dos Estados Unidos anunciou que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foram oficialmente classificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Essa decisão, que entra em vigor nesta sexta-feira (5), é fundamentada em um histórico de violência extrema, incluindo ataques coordenados e assassinatos de autoridades, além do uso de táticas militares que vão além do tráfico de drogas convencional.
Ao serem rotuladas como FTO, PCC e CV enfrentam sanções severas, como o bloqueio de bens em território americano e a proibição de apoio material a essas organizações por indivíduos ou empresas sob jurisdição dos EUA. Essa medida reflete a percepção de que a atuação dessas facções representa uma ameaça sistêmica à segurança pública.
Um dos eventos mais emblemáticos que exemplificam essa violência foi o chamado ‘Salve Geral’, ocorrido em 2006 em São Paulo. Durante dez dias, o PCC orquestrou uma série de ataques e rebeliões que resultaram em 564 mortes e paralisaram a maior metrópole do país. Outro episódio marcante foi o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias, em 2003, que foi executado por ser considerado um inimigo pelas lideranças criminosas.
As facções também têm demonstrado uma disposição alarmante em atacar civis e jornalistas. Em 2002, o repórter Tim Lopes, da TV Globo, foi torturado e assassinado pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro enquanto investigava denúncias de abuso sexual. Em 2006, o PCC sequestrou o repórter Guilherme Portanova em São Paulo, exigindo a exibição de um vídeo com reivindicações do grupo em rede nacional para libertá-lo após 40 horas de cativeiro.
Recentemente, o Comando Vermelho adotou táticas militares mais sofisticadas, como o uso de drones adaptados para lançar granadas contra policiais em operações no Rio de Janeiro. Investigações indicam que o treinamento para operar esses equipamentos foi ministrado por um voluntário brasileiro que lutou na guerra da Ucrânia, evidenciando uma crescente profissionalização das facções.
Em 2024, o empresário e delator Antônio Vinícius Gritzbach foi executado à luz do dia no Aeroporto de Guarulhos. No ano seguinte, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, conhecido por seu combate ao crime organizado, foi assassinado a tiros de fuzil na Praia Grande. Esses crimes ilustram a disposição das facções em atacar tanto colaboradores da Justiça quanto agentes públicos que as investigam.
A decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas é um reflexo do reconhecimento internacional da gravidade da situação no Brasil, onde a violência e a criminalidade organizada têm impactos profundos na sociedade e na segurança pública. Para entender melhor essa questão e suas implicações, é fundamental acompanhar as análises e reportagens que seguem sobre o tema.



