Daniela Villarroel, uma socorrista de 28 anos, viveu uma experiência aterradora e transformadora ao trabalhar por 18 dias seguidos na área mais afetada pelo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho. Em meio a escombros e desespero, ela se viu cercada por cenas que a marcarão para sempre. “Sinto que nunca vou me livrar deste cheiro de morte”, desabafa, ao relembrar a dura realidade que enfrentou durante as operações de resgate.
Após a tragédia, Villarroel interrompeu sua rotina como nutricionista para se juntar aos bombeiros voluntários da Universidade Central da Venezuela (UCV). Ela sabia que a sua missão era crucial: salvar vidas e recuperar corpos. A jovem, que já havia enfrentado incêndios e acidentes em sua carreira, nunca havia vivenciado um desafio tão devastador quanto retirar pessoas presas sob prédios desabados.
“Quando você chegava aos locais, era impossível não sentir o desespero das pessoas. Elas seguravam sua mão e te levavam até onde os familiares estavam soterrados”, conta. O cenário era desolador: corpos esmagados, sangue fresco e o som angustiante de gritos pedindo ajuda. Villarroel, no entanto, não hesitou. Durante quase três semanas, ela se adaptou à rotina intensa dos bombeiros, percorrendo cerca de 40 km diariamente até as áreas devastadas, sempre disposta a fazer o que fosse necessário.
A falta de recursos é um desafio constante para os bombeiros voluntários. Villarroel e seus colegas utilizam equipamentos adquiridos com seus próprios recursos, e, em um momento tão crítico, ela só tinha suas luvas e uma corda de um metro e meio. Mesmo assim, sua determinação e coragem foram inabaláveis.
Além de seu trabalho no Corpo de Bombeiros, Villarroel possui formação como paramédica, adquirida durante uma temporada na Irlanda. Essa experiência, somada à sua dedicação, a torna uma profissional valiosa em momentos de crise. Ao voltar para casa após longos dias de trabalho, a socorrista se despedia do horror que a acompanhava, mas a marca deixada por essas experiências a acompanhará para sempre. “É difícil descrever o que vi, mas sei que fiz o que pude para ajudar”, conclui, com a esperança de que sua história inspire outros a se envolverem em ações humanitárias.




