Post: Megaoperação Showdown em MT mira família de facção que lavou R$ 20 milhões em garimpos, lojas e jogos de azar; líder segue foragida

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 5 de março, a Operação Showdown, uma ação de grande porte que visa desarticular um núcleo familiar ligado a uma perigosa facção criminosa no norte do estado. O grupo é investigado por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, e promoção de jogos de azar. A operação busca cumprir 31 ordens judiciais e desvendar um esquema que teria movimentado mais de R$ 20 milhões em apenas um ano e sete meses.

Entre os alvos da ação estão Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angéliquinha, apontada como líder da facção e que segue foragida após escapar da penitenciária em agosto de 2025. Outros nomes envolvidos são Kauany Beatriz, filha de Angélica, Guilherme Luareth, genro da líder, e Paulo Felizardo, pai de Angélica, que foi preso em uma área de garimpo em Novo Astro, próximo a Nova Bandeirantes. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas. As medidas foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e estão sendo executadas nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

Núcleo Familiar e a Líder Foragida

As investigações, conduzidas em conjunto pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e pela Delegacia de Alta Floresta, focam em Angélica Saraiva de Sá. Considerada de alta periculosidade, ela está foragida do Sistema Prisional desde agosto de 2025, quando escapou do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Além dela, membros próximos da família, como seu pai, filha e marido, são peças-chave no esquema, atuando como operadores financeiros para dar uma aparência lícita ao dinheiro obtido ilegalmente pelo tráfico de drogas.

R$ 20 Milhões Movimentados: O Esquema de Lavagem

Os alvos são investigados por movimentar valores totalmente incompatíveis com a renda declarada. As apurações revelaram que, em apenas um ano e sete meses, o grupo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões provenientes das atividades criminosas da facção. Para a lavagem de dinheiro, o grupo utilizava uma complexa rede de mecanismos.

Entre os métodos estavam empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas. Além disso, plataformas digitais de jogos de azar online eram exploradas para que os valores ilícitos fossem apresentados posteriormente como ganhos legítimos, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Outra vertente do esquema envolvia a exploração de garimpos irregulares na região de Alta Floresta. Sob a supervisão direta da filha da líder, o pai de Angélica, Paulo Felizardo, era responsável por gerenciar um garimpo e também um bar/prostíbulo localizado próximo a Nova Bandeirantes. Este último local era usado para apoio a extorsões contra garimpeiros e como ponto de tráfico de drogas. O ouro extraído ilegalmente servia para ocultar e reinserir os recursos ilícitos no mercado formal.

Ostentação e Luxo

A filha e o genro da líder da facção são conhecidos por ostentar uma vida de luxo, marcada pela aquisição de imóveis, carros de alto padrão e viagens internacionais. A filha, inclusive, mantém um perfil em uma rede social com mais de 40 mil seguidores, onde compartilha detalhes de sua rotina e suas aquisições, evidenciando o estilo de vida incompatível com a renda declarada.

Nome e Alcance da Operação

O nome da operação, "Showdown", faz referência a uma jogada de pôquer em que os jogadores mostram suas cartas, aludindo diretamente aos jogos de azar, uma das práticas utilizadas pelo núcleo familiar para a lavagem de dinheiro. A operação conta com o apoio das equipes das Delegacias de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, além do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Esta ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, sendo parte da Operação Pharus e do programa Tolerância Zero, que tem como objetivo combater as facções criminosas em todo o estado, fortalecendo a segurança pública e a ordem social.

Fonte: https://rgtnews.com.br

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