O Senado dos Estados Unidos confirmou neste sábado (8) Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump, como procurador-geral do país. A votação, que ocorreu por uma margem apertada, encerrou uma das disputas mais polêmicas do segundo mandato de Trump, em meio a preocupações bipartidárias sobre a independência de Blanche, que quase levaram a sua indicação ao fracasso.
Blanche já ocupava interinamente o cargo deixado por Pam Bondi, demitida em abril, durante a crise relacionada ao caso Jeffrey Epstein. Antes de sua nomeação, ele atuou como advogado de Trump em diversos processos, incluindo o caso da atriz pornô Stormy Daniels.
A confirmação de Blanche foi aprovada por 50 votos a 49, com as republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski se unindo aos democratas para rejeitar sua indicação. O senador Bill Cassidy foi o voto decisivo, afirmando que considerava Blanche a melhor opção apresentada por Trump.
A resistência entre os republicanos se concentrou em duas medidas controversas adotadas por Blanche. A primeira era a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar pessoas que alegassem ter sido alvo de perseguição política pelo governo federal, o que foi criticado como um apoio a aliados de Trump, incluindo aqueles envolvidos na invasão do Capitólio em janeiro de 2021.
A segunda medida, um decreto assinado em maio, estava relacionada a um acordo entre o Departamento de Justiça e Trump, que poderia ser interpretado como uma proteção contra futuras auditorias fiscais. Para garantir sua confirmação, Blanche revogou oficialmente o fundo e restringiu o alcance do acordo de imunidade tributária, limitando-o às partes envolvidas na ação judicial original.
Essas concessões ajudaram Blanche a superar a resistência de parte da bancada republicana. No entanto, os democratas se opuseram à sua nomeação desde o início, acusando Trump de transformar o Departamento de Justiça em uma ferramenta política. O senador Dick Durbin, do Comitê Judiciário, afirmou que “o procurador-geral deveria ser o advogado do povo”.
Após a confirmação, Blanche expressou em suas redes sociais estar honrado com a confiança depositada nele. Historicamente, o Departamento de Justiça dos EUA opera com relativa independência em relação à Casa Branca, mas essa relação se tornou controversa durante o segundo mandato de Trump, com o presidente buscando ampliar seu controle sobre agências que tradicionalmente mantinham autonomia.
Sob a liderança de Blanche, o departamento tem buscado processar adversários de Trump, resultando em críticas de juízes federais sobre a fragilidade de alguns casos apresentados. Além disso, houve uma significativa redução no quadro de funcionários de carreira que eram vistos como resistentes à agenda do governo.
Blanche defendeu que sua gestão ajudou a reduzir a criminalidade e corrigir injustiças cometidas contra Trump e seus aliados conservadores. Seus apoiadores afirmam que ele está comprometido com a missão do Departamento de Justiça de garantir a segurança do país.




