A história econômica de Santa Catarina é marcada por uma notável transformação ao longo de 500 anos, desde a chegada dos primeiros colonos açorianos até a consolidação do estado como um dos principais polos industriais do Brasil. A colonização, que começou com a pesca e o cultivo de mandioca, evoluiu para a instalação de fábricas e portos, criando uma economia diversificada e competitiva.
Em junho deste ano, a 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu, de forma unânime, afastar a falência da Teka, uma tradicional indústria têxtil de Blumenau. A empresa, que enfrentou dívidas de bilhões de reais e passou mais de uma década sob intervenção judicial, está em recuperação e projeta um faturamento de R$ 550 milhões para 2026. Esse exemplo ilustra a resiliência do setor industrial catarinense, que se reergue mesmo após períodos difíceis.
A trajetória da Teka é um reflexo do que aconteceu em todo o estado. Santa Catarina, reconhecida como o segundo estado mais competitivo do Brasil, é líder em capital humano e segurança pública, além de estar em ascensão em inovação e potencial de mercado, conforme o Ranking de Competitividade dos Estados 2025. No entanto, o crescimento da indústria enfrenta desafios, como a necessidade de investimentos em infraestrutura, totalizando cerca de R$ 57 bilhões até 2029, para evitar um colapso logístico.
Para entender a economia catarinense contemporânea, é fundamental olhar para o passado. O professor Hoyêdo Nunes Lins, especialista em desenvolvimento regional, destaca que a configuração industrial do estado está intimamente ligada ao processo de colonização. Imigrantes germânicos e italianos formaram núcleos que se tornaram a base da estrutura produtiva. Cidades como Joinville se destacaram no setor metalmecânico, enquanto Blumenau se tornou um centro têxtil, com a fundação de empresas como a Companhia Hering em 1880.
A pesquisa do economista Alcides Goularti Filho revela que a transformação de Santa Catarina de uma economia de subsistência para uma industrial diversificada ocorreu rapidamente, entre 1880 e 1945. Esse período viu o surgimento de indústrias madeireiras, alimentícias, carboníferas e têxteis. A metalmecânica e a moveleira também se expandiram, preparando o terreno para o crescimento de empresas como Tupy, Hering e Sadia, que hoje são referências nacionais.
Santa Catarina se destaca por sua economia descentralizada e diversificada, com uma taxa de sobrevivência empresarial de 49,3% após cinco anos, a maior do Brasil. O economista Alexandre Lamas Pena atribui esse sucesso à presença de polos produtivos especializados, que criam redes de fornecedores e facilitam a adaptação das empresas às mudanças do mercado.
O diretor de Inovação e Competitividade da Fiesc, José Eduardo Fiates, ressalta que a competitividade do estado é resultado de decisões tomadas ao longo das décadas, ligadas às demandas do mercado local. No entanto, ele alerta que a cultura que sustentou as empresas centenárias não será suficiente para os próximos 500 anos. Para garantir o futuro da indústria catarinense, é necessário investir em inovação, flexibilidade e estratégias globais.
Entre os desafios apontados para a próxima década estão a formação de recursos humanos qualificados, a adoção de novas tecnologias e a construção de marcas globais. A Tupy, uma das empresas mais antigas do estado, é um exemplo de como a inovação e a adaptação são essenciais para a sobrevivência no mercado atual. Fundada em 1938, a empresa tem se destacado por sua capacidade de se reinventar e se posicionar globalmente.
Assim, a história de Santa Catarina é uma narrativa de transformação e resiliência, que reflete a capacidade de adaptação e inovação de sua indústria. O estado, que começou como uma colônia de imigrantes, agora se destaca como uma potência industrial, pronta para enfrentar os desafios do futuro.




