A Rússia bombardeou nesta segunda-feira (12) uma usina termelétrica na cidade de Kharkiv, no leste da Ucrânia, resultando em doze feridos e na destruição de infraestrutura vital para a produção de gás natural, de acordo com autoridades ucranianas e a empresa estatal Naftogaz. O ataque ocorreu no dia seguinte ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um suposto cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou não ter conhecimento do acordo, mas se comprometeu a cumpri-lo caso Moscou também o respeitasse. O Kremlin, por sua vez, não fez comentários sobre a proposta.
Durante sua participação no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelenski reiterou que tomou conhecimento do cessar-fogo energético apenas pela imprensa. Ele acusou a Rússia de violar o acordo e pediu aos Estados Unidos que pressionassem o governo de Vladimir Putin a respeitar a moratória sobre ataques à infraestrutura energética. “Estamos esperando detalhes do que foi conversado entre os americanos e os russos e aguardando as medidas que serão tomadas por Washington”, declarou Zelenski, em discurso por videoconferência. “Esse cessar-fogo energético pode funcionar e se tornar um passo importante para encerrar a guerra se os americanos agirem e garantirem que a Rússia o respeite.”
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não comentou a proposta nesta segunda-feira, mas afirmou que a Rússia rejeita a oferta da Ucrânia de um cessar-fogo de 60 dias para a realização de eleições em Kiev. Zelenski foi eleito para um mandato de cinco anos que termina em maio de 2024, mas permanece no cargo devido à imposição de lei marcial na Ucrânia.
Em um novo sinal de deterioração nas relações bilaterais, Trump sugeriu no sábado (10) que os ucranianos deveriam substituir Zelenski em um novo pleito, responsabilizando o presidente pelo aumento dos preços do óleo diesel no mundo. A guerra, que já dura mais de quatro anos, entrou em uma nova fase, com a Ucrânia utilizando drones de longo alcance para atacar o setor energético russo, atingindo refinarias de petróleo em todo o país e prejudicando a capacidade de Moscou de exportar combustíveis.



