O relatório sobre a investigação da morte da menina Lyhanna, supostamente estuprada e assassinada por um homem com antecedentes de pedofilia, aponta para uma “sucessão de erros” no processo judicial. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, declarou que a cadeia de proteção à vítima falhou e prometeu mudanças na legislação sobre estupro.
Lyhanna foi encontrada morta em 4 de junho em um silo agrícola perto de Fleurance, no sudoeste da França, após uma semana desaparecida. O principal suspeito, Jérôme Barella, de 41 anos, pai de uma amiga da menina, foi preso. Curiosamente, Barella já havia sido denunciado nove meses antes por uma menina chamada Rosa, de apenas 10 anos, mas nunca foi detido ou interrogado.
O relatório da inspeção, divulgado nesta segunda-feira, detalha que a mãe de Rosa levou a filha a um hospital em Toulouse em agosto de 2025, após a menina revelar ter sido vítima de estupros atribuídos ao padrasto, mencionando cerca de cinquenta episódios. Contudo, após as primeiras investigações, o caso foi transferido da Promotoria de Toulouse para a de Auch, onde o suspeito residia, mas sem a urgência necessária.
Em Auch, o caso não foi tratado como prioridade, apesar do perfil do suspeito. A mãe de Rosa só foi ouvida novamente em fevereiro do ano seguinte, e nenhuma nova diligência foi realizada, conforme aponta o relatório. Lecornu destacou a gravidade da situação, afirmando que a proteção das crianças falhou em várias etapas do processo.
O caso gerou uma onda de críticas e protestos sobre a proteção de menores na França. O primeiro-ministro, que nega que a falta de recursos tenha contribuído para a tragédia, reiterou sua intenção de modificar a lei para permitir a prisão perpétua para estupradores em série de crianças.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, que se recusa a renunciar, já anunciou que proporá sanções contra magistrados se forem confirmados erros profissionais no caso. Além disso, ele ordenou uma revisão de 70 mil denúncias em andamento por agressão sexual contra menores, o que já resultou na prisão de 134 pessoas, segundo fontes do governo. O caso de Lyhanna e as falhas no sistema de proteção infantil levantam questões urgentes sobre a segurança das crianças e a eficácia do sistema judicial na França.




