Em um momento de crescente tensão entre a Rússia e a Otan, o presidente Vladimir Putin conduziu um teste de míssil nuclear intercontinental na última sexta-feira (28). O lançamento ocorreu apenas três dias após a visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou, onde ele se reuniu com o chefe da inteligência russa, Serguei Narichkin, para discutir a crise em torno da Guerra da Ucrânia.
A visita de Ratcliffe foi marcada por sigilo e tinha como foco a escalada de tensões entre Moscou e os membros da aliança militar ocidental, especialmente o Reino Unido. Na segunda-feira (24), o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, esteve em Kiev para participar das celebrações do Dia da Independência da Ucrânia, onde prometeu apoio na transferência de tecnologia para a construção de mísseis de cruzeiro Storm Shadow.
Os mísseis de cruzeiro, fornecidos por Londres e Paris, têm sido utilizados em menor escala, focando em alvos nas áreas ocupadas pela Rússia na Ucrânia, sem atingir diretamente o território russo. O Kremlin, por sua vez, classificou as indústrias bélicas do Reino Unido como alvos legítimos, especialmente após a venda de drones de ataque para os ucranianos.
A tensão se intensificou com a troca de acusações entre Moscou e os Estados Bálticos, que temem ações russas, dado seu status como membros mais vulneráveis da Otan. O Kremlin nega qualquer intenção de ataque, mesmo diante de alegações de atividades híbridas, como a descoberta de drones com explosivos na Alemanha.
O teste do míssil nuclear foi realizado a partir do cosmódromo de Plesetsk, localizado próximo ao Ártico e à fronteira europeia da Rússia. Um lançador móvel disparou um míssil RS-24 Iars, um dos principais modelos do arsenal de mísseis balísticos intercontinentais da Rússia. O míssil percorreu cerca de 6.700 km sobre território russo, demonstrando a capacidade de alcance da arma e enviando uma mensagem clara em meio à crescente tensão internacional.



