A Polícia Federal (PF) está investigando o Instituto de Previdência de Maceió devido a investimentos de alto risco realizados no Banco Master, que totalizam R$ 97 milhões. A operação, batizada de Compliance 82, foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (10) e resultou em oito mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos indicam que houve um direcionamento das aplicações e uma exposição desproporcional dos recursos em ativos de alta volatilidade e baixa liquidez.
A investigação é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude financeira envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório aponta que as decisões sobre os investimentos foram tomadas sem seguir os procedimentos de governança adequados, o que levanta suspeitas sobre a legalidade das operações. Mendonça destacou que as propostas foram aceitas sem a realização de estudos comparativos independentes, o que poderia indicar um possível favorecimento ao Banco Master.
Em resposta às alegações, a Maceió Previdência afirmou que todos os atos relacionados aos investimentos seguiram os trâmites legais e que seu patrimônio cresceu de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que, segundo a instituição, garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas.
Entre os alvos da operação estão ex-dirigentes da previdência municipal, incluindo Ronnie Reyner Teixeira, ex-presidente do Iprev, e outros membros da equipe de investimentos. As buscas também foram realizadas nas sedes do Iprev e de consultorias envolvidas nas operações.
Os investimentos em questão foram feitos em duas etapas: a primeira em dezembro de 2023, com R$ 80 milhões aplicados em títulos que rendem IPCA mais 7,6% ao ano, e a segunda em maio de 2024, com outros R$ 17 milhões em títulos com rendimento de IPCA mais 7,3% ao ano. Esses papéis são considerados de maior risco e com baixa liquidez, o que significa que, em caso de dificuldades financeiras da instituição emissora, os investidores podem ter dificuldades para recuperar seus recursos.
A decisão judicial também aponta falhas na gestão dos recursos, como a falta de diligência na análise do credenciamento do Banco Master e a ausência de justificativas concretas para a escolha da instituição. A investigação apura possíveis crimes de gestão fraudulenta, desvio de dinheiro público, lavagem de capitais e organização criminosa. No entanto, o ministro Mendonça não autorizou todas as medidas solicitadas pela PF, incluindo pedidos de busca contra o atual presidente do Iprev e a ex-chefe de gabinete.
A Maceió Previdência reafirmou seu compromisso em colaborar com as investigações, destacando que todos os atos foram realizados dentro da legalidade e que a saúde financeira do fundo está garantida. A situação continua a ser monitorada pelas autoridades competentes, enquanto a PF avança nas apurações sobre as irregularidades nos investimentos realizados.



