O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, causou polêmica ao publicar um vídeo em sua conta no X, onde aparece ao lado de cadáveres em uma demonstração de força contra o narcotráfico. O evento ocorreu após uma operação militar que, segundo o governo, resultou na morte de 23 pessoas, supostamente membros de grupos rebeldes. A ação foi descrita por Espriella como um “golpe letal” contra o controle territorial de organizações criminosas, reforçando uma política de tolerância zero em relação ao crime.
Neste vídeo, o presidente, vestido em uniforme militar, caminha ao lado de sacos mortuários brancos, apresentando-os como prova de uma operação bem-sucedida. Especialistas criticam essa abordagem, argumentando que ela representa um espetáculo punitivo e uma erosão do devido processo legal. A prática de exibir imagens de supostos criminosos como forma de demonstrar poder do Estado tem se tornado comum na América Latina, especialmente entre líderes que adotam um discurso de lei e ordem.
A situação na Colômbia é particularmente sensível, dada a longa história de violência e violações de direitos humanos durante décadas de conflito armado. O legado dos “falsos positivos”, onde civis foram mortos e apresentados como guerrilheiros, ainda está presente na memória coletiva do país. Essa nova tática de comunicação do governo, que utiliza imagens de violência como propaganda, levanta preocupações sobre um possível retorno a práticas violentas do passado.
Além disso, a decisão de tratar narcotraficantes como terroristas, uma estratégia que ganhou força durante o governo de Donald Trump, tem influenciado a forma como líderes latino-americanos abordam a segurança pública. A vice-diretora do International Crisis Group, Elizabeth Dickinson, destaca que essa retórica não apenas desumaniza os indivíduos, mas também legitima ações violentas contra eles.
A operação militar em questão também levantou questões sobre as garantias legais e os direitos humanos, com especialistas alertando que a glorificação da violência pode ter consequências graves para a sociedade colombiana. O presidente Espriella afirmou que o grupo alvo da operação havia recrutado crianças e atacado forças armadas, justificando a ação como necessária para restaurar a ordem.
A exibição de cadáveres e a retórica agressiva do governo podem ser vistas como uma tentativa de galvanizar apoio popular, mas também podem sinalizar uma nova era de violência em massa. A Colômbia, que já passou por um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), agora enfrenta o desafio de lidar com facções dissidentes e a possibilidade de um retrocesso nas conquistas de direitos humanos e paz.




