Post: Presidente da Bolívia revoga restrições ao Estado de exceção em meio a protestos

Presidente da Bolívia revoga restrições ao Estado de exceção em meio a protestos que geram escassez de alimentos e medicamentos.
Imagem gerada com IA

O governo da Bolívia decidiu flexibilizar o uso do Estado de exceção em resposta a uma onda de protestos que já dura quatro semanas. A mudança, aprovada pela Assembleia Nacional na terça-feira (26), revoga uma legislação de 2020 que dificultava a declaração de Estado de exceção e o uso das Forças Armadas para conter manifestações. Com essa nova autorização, o presidente Rodrigo Paz poderá solicitar a análise do Estado de exceção, que deve ser aprovada pelos parlamentares em até 72 horas.

Os protestos são liderados por apoiadores do ex-presidente Evo Morales e líderes sindicais, que exigem a renúncia de Paz, um presidente de centro-direita. As manifestações têm gerado bloqueios de estradas, resultando em escassez de alimentos, combustível e medicamentos nas cidades de La Paz e El Alto. A situação se agrava com o relato de Zulma Hinojosa, uma mãe que enfrenta dificuldades para encontrar medicamentos para seu filho de 13 anos, que sofre de asma e problemas cardíacos. “A viagem até o hospital é uma verdadeira odisseia”, desabafa.

Desde o início de maio, diversas organizações de trabalhadores, agricultores e professores têm promovido os bloqueios, exigindo que o governo tome medidas para enfrentar a crise econômica, a pior em quatro décadas. A escassez de produtos essenciais tem impactado fortemente a população, com aumentos nos preços e dificuldades de acesso a serviços de saúde. O neurocirurgião Enrique Coritza, do hospital público de Clínicas de La Paz, alertou que o estoque de oxigênio do hospital pode durar apenas alguns dias, aumentando a preocupação com a saúde pública.

A situação continua a evoluir, e muitos aguardam as próximas decisões do governo e o desdobramento das manifestações, que refletem um descontentamento crescente com a atual administração. Os bloqueios de estradas não só afetam a capital, mas se espalham por outras regiões da Bolívia, aumentando a pressão sobre o governo de Rodrigo Paz.

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