Os portos brasileiros estão passando por uma transformação significativa para aumentar sua capacidade de exportação de petróleo, especialmente do pré-sal, que vem batendo recordes de produção. No Porto Sudeste, localizado no Rio de Janeiro, uma área que antes era destinada a um píer para minério de ferro agora está sendo convertida em uma instalação para transbordo de petróleo entre navios. Este investimento, que soma R$ 180 milhões e foi aprovado em 2023, reflete as expectativas de crescimento da produção no pré-sal, que já é o principal produto da balança comercial do Brasil.
Jayme Nicolato, CEO do Porto Sudeste, destaca que até o fim da década, a produção brasileira de petróleo pode alcançar 5 milhões de barris por dia. O porto, que está em uma área abrigada e próximo a um centro de emergência, oferece segurança nas operações de transferência de óleo entre navios. Essa prática, conhecida como ship-to-ship, é crucial, pois os navios que retiram o petróleo das plataformas do pré-sal, localizadas a centenas de quilômetros da costa, são projetados para permanecer em uma posição fixa enquanto realizam a operação, independentemente das condições climáticas.
Além do Porto Sudeste, outros terminais, como o Porto do Açu e a própria Petrobras, também têm planos de expansão. Em 2025, as principais empresas que oferecem serviços de transbordo registraram recordes, acompanhando o aumento da produção de petróleo. A Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, movimentou 700 mil barris por dia em operações ship-to-ship, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A Vast, no Porto do Açu, também teve um desempenho positivo, com uma média de 600 mil barris por dia, alta de 19%.
Os primeiros meses de 2026 já mostraram um crescimento contínuo na produção do pré-sal, resultando em exportações brasileiras de petróleo em níveis elevados. O Porto Sudeste, que foi idealizado pelo empresário Eike Batista para movimentar minério de ferro, agora revisou sua estratégia, mantendo a movimentação de minério em um cais já construído, com capacidade para 50 milhões de toneladas por ano. No entanto, o segundo cais do projeto, que teria a mesma capacidade, não será mais construído. Nicolato explica que o porto foi projetado para movimentar 100 milhões de toneladas, mas agora atingirá esse objetivo com uma combinação de granéis sólidos e líquidos.
O porto já realiza operações de transbordo em janelas de contratos com mineradoras. Em 2024, foram 19 operações, e até o momento, 12 já foram realizadas neste ano. Com a conclusão da estrutura para atracação dos navios, conhecida como dolphin, a capacidade de operação do porto será ampliada para 144 operações. Essa expansão é um reflexo das novas demandas do mercado e da crescente importância do petróleo do pré-sal na economia brasileira.




