Post: Por que diversificar investimentos mesmo com CDI rendendo mais?

Entenda por que diversificar investimentos é crucial, mesmo quando o CDI apresenta rentabilidade superior.
Por que diversificar investimentos mesmo com CDI rendendo mais?

A comparação entre diferentes estratégias de investimento é um tema recorrente entre os investidores, especialmente quando se observa que o CDI, um dos principais indicadores de rentabilidade no Brasil, tem apresentado resultados superiores. No entanto, a reflexão sobre a diversificação de investimentos vai além da mera comparação de números. O professor e assessor da Casa do Investidor, Michael Viriato, em sua coluna “De Grão em Grão”, propõe uma análise mais profunda sobre o assunto.

Imagine a situação de um motorista que, após cinco anos sem acidentes, questiona a necessidade de ter um seguro. Olhando para o passado, a conclusão pode parecer simples, mas essa avaliação ignora a incerteza que existia no momento da decisão. O mesmo raciocínio se aplica aos investimentos: avaliar uma decisão após conhecer o resultado pode levar a erros de interpretação. Muitos investidores acreditam que diversificar significa necessariamente obter um retorno maior, mas esse não é o principal objetivo. A diversificação serve, na verdade, para reduzir a dependência de um único ativo ou cenário econômico.

A teoria moderna de carteiras, desenvolvida por Harry Markowitz, destaca que não é suficiente avaliar o risco de cada investimento isoladamente. O comportamento conjunto dos ativos é crucial. Ao diversificar, o investidor diminui a probabilidade de errar ao escolher um único ativo ou cenário econômico e, consequentemente, reduz o impacto negativo de um eventual erro.

Para exemplificar, Viriato montou uma carteira com um perfil moderado, composta por 40% em CDI, 10% em renda fixa prefixada, 20% em títulos indexados à inflação, 10% em fundos multimercados, 5% em fundos imobiliários, 7,5% no Ibovespa e 7,5% no S&P 500. Essa construção não é uma recomendação, mas um exercício para ilustrar a questão da diversificação.

Nos últimos cinco anos, essa carteira teria rendido 10,73% ao ano, enquanto o CDI entregou 12,5%. Em três anos, a rentabilidade foi de 12,01%, contra 12,7% do CDI. Embora esses números possam frustrar aqueles que esperam que a diversificação sempre traga retornos superiores, é importante lembrar que a análise deve considerar o contexto e o horizonte de tempo.

A pergunta que surge é: por que assumir outros riscos quando o CDI parece ser a opção mais segura? Olhando para trás, pode-se concluir que ter concentrado tudo no CDI teria sido mais vantajoso. No entanto, essa avaliação ignora a incerteza que existia no momento da decisão. O investidor não tinha como prever qual investimento se sairia melhor em um período específico.

A percepção sobre a rentabilidade muda conforme o período analisado. Entre 2016 e 2020, a mesma carteira teria superado o CDI, com rendimentos que ultrapassaram 130% do CDI em cada ano individual. Em 2019, por exemplo, a rentabilidade chegou a 268,64% do CDI. Um investidor que analisasse sua carteira no final de 2020 poderia se perguntar por que deixou uma parte significativa no CDI, enquanto agora, em 2026, pode se arrepender de não ter diversificado mais.

A análise de horizontes mais longos também traz à tona resultados diferentes. Em dez anos, a carteira teria rendido 10,24% ao ano, contra 9,3% do CDI. Em 15 anos, a rentabilidade foi de 10,78%, em comparação a 9,8% do CDI. Esses dados mostram que, em períodos mais longos, a diversificação pode trazer benefícios significativos.

Portanto, a questão não é apenas sobre a rentabilidade imediata, mas sobre a construção de um portfólio que minimize riscos e maximize oportunidades ao longo do tempo. A diversificação é uma estratégia que, quando bem aplicada, pode proteger o investidor de incertezas e oscilações do mercado, garantindo uma trajetória mais estável e segura para seu patrimônio.

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