O deputado estadual Diego Guimarães, do partido Republicanos, apresentou uma proposta de plebiscito para que os moradores das áreas em disputa entre Mato Grosso e Pará decidam oficialmente a qual estado desejam pertencer. A declaração foi feita durante uma sessão plenária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta quarta-feira (27). O parlamentar enfatizou que a questão vai além de limites territoriais e arrecadação, destacando a importância de considerar as necessidades da população local. “O que está em jogo não é apenas terra ou arrecadação. Nós estamos falando de brasileiros que precisam da presença do poder público”, afirmou Guimarães. A disputa territorial, que envolve uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados, será debatida no Supremo Tribunal Federal (STF) em junho, em uma audiência de conciliação entre os dois estados. O deputado criticou a postura do Governo do Pará, especialmente as declarações da governadora Hana Ghassan, que afirmou não abrir mão do território. Guimarães defendeu que a prioridade deve ser a população que vive na região de faixa de fronteira. “Façamos um plebiscito para ouvir o povo. Vamos perguntar se eles querem continuar no abandono ou se querem acesso à infraestrutura, educação e assistência que Mato Grosso tem oferecido”, declarou. Em entrevista, o deputado ressaltou que a discussão deve ir além da questão cartográfica, considerando a situação das famílias que vivem nas regiões de fronteira. “Antes de falar de terra, precisamos falar de pessoas”, disse. Ele mencionou que muitos moradores de comunidades paraenses atravessam a fronteira para acessar serviços públicos em cidades como Guarantã do Norte, Novo Mundo, Alta Floresta, Paranaíta e Apiacás, demonstrando a dependência histórica da população local em relação à estrutura oferecida por Mato Grosso. “A minha origem é Guarantã do Norte. Eu convivo com essa realidade desde criança e, hoje, como deputado, continuo acompanhando de perto a situação dessas famílias”, afirmou. Guimarães também destacou que seu irmão reside há anos na região do Pará, o que lhe confere uma visão mais próxima da importância de uma conciliação nessa questão. O deputado relatou que moradores de localidades como Cachoeira da Serra, Castelo dos Sonhos e Vale do XV dependem diretamente da infraestrutura de Mato Grosso, especialmente nas áreas de saúde e educação. “O problema é que, muitas vezes, essas pessoas vivem em áreas que estão no mapa do Pará, mas que, na prática, não recebem a presença do Governo do Pará”, afirmou. Ele acrescentou que, apesar de estarem geograficamente no Pará e pagarem impostos ao estado, os moradores dependem dos serviços prestados por Mato Grosso. Além disso, Guimarães mencionou que produtores rurais e prefeitos enfrentam dificuldades jurídicas ao tentarem realizar melhorias em estradas ou prestar apoio em áreas oficialmente pertencentes ao estado vizinho. “Tem prefeito respondendo processo porque colocou máquina para recuperar estrada rural em uma região onde o Estado do Pará não atua”, ressaltou. O deputado afirmou que a Assembleia Legislativa está acompanhando a questão de forma institucional e deverá participar das discussões no STF. Ele defendeu que, independentemente do resultado da disputa territorial, a gestão paraense deve permitir que Mato Grosso continue prestando apoio às comunidades da região. “Mesmo que a terra continue com o Pará, permitam que Mato Grosso ajude essas famílias com estradas, transporte escolar e atendimento à saúde”, concluiu.




