Os israelenses compareceram em massa às urnas nesta terça-feira (27), registrando uma participação eleitoral recorde, conforme apontam as pesquisas de boca de urna. O partido do atual primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, o Likud, deve conquistar o maior número de cadeiras no Parlamento de Israel, mas isso não garante sua permanência no cargo. A formação do novo governo dependerá das negociações entre os partidos. Segundo o levantamento do Canal 12, o Likud deve conquistar 24 cadeiras, enquanto a principal legenda de oposição, Yashar, liderada por Gadi Eisenkot, deve obter 22. Já a amostragem realizada pelo Canal 11 indica 25 cadeiras para o Likud e 21 para o Yashar.
Esses números refletem a incerteza que analistas já previam antes do pleito. Apesar de o Likud ser o partido com mais cadeiras, o bloco de oposição pode, em conjunto, ter um total maior que o de Netanyahu. O levantamento do Canal 12 sugere que o possível bloco de Eisenkot conquistaria 52 cadeiras, em comparação com 50 do grupo de Netanyahu, enquanto as listas árabes poderiam garantir 18 cadeiras.
Os resultados oficiais devem começar a ser divulgados nas próximas horas, e a expectativa é que os números finais sejam conhecidos nos próximos dias. Se as pesquisas se confirmarem, poderá levar semanas até que o parlamentar indicado pelo presidente Isaac Herzog consiga formar uma coalizão para o novo governo. Existe ainda a possibilidade de que novas eleições sejam convocadas caso nenhum partido consiga uma coligação suficiente para governar.
Após o fechamento das urnas, Eisenkot declarou que “os resultados iniciais indicam uma completa falta de confiança em Netanyahu e no governo do 7 de Outubro, tanto por parte da maioria sionista quanto da maioria dos cidadãos israelenses”. Ele ressaltou que, se esses forem os números finais, será uma vitória para o país. “Agirei imediatamente para implementar a decisão do povo, substituir o governo Netanyahu e estabelecer um governo de mobilização sionista o mais rápido possível”, afirmou.
O presidente da Lista Conjunta, a principal legenda árabe, que segundo o levantamento do Canal 12 deve conquistar 11 cadeiras, também se manifestou, afirmando que os resultados indicam uma possível mudança de governo. “Esperamos mandar Bibi, Smotrich e o governo sanguinário para casa”, disse Yosef Jabarin.
Durante esta terça-feira, longas filas se formaram nas seções eleitorais, marcando a primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e as guerras subsequentes na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irã. A Comissão Eleitoral Central informou que a participação eleitoral atingiu o maior nível desde 1988, antes do horário de fechamento das urnas.



