As mudanças climáticas estão criando um cenário alarmante que eleva o risco de desastres naturais, como as inundações devastadoras que atingiram a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. Segundo cientistas, as condições climáticas extremas têm contribuído para a instabilidade das encostas, resultando em deslizamentos de terra e enchentes catastróficas.
Recentemente, aproximadamente 1.500 pessoas foram dadas como desaparecidas, incluindo 800 estrangeiros, após uma massiva avalanche de lama e rochas que desabou em um rio da região. O evento, que ocorreu em 27 de agosto de 2026, provocou inundações em várias cidades e vales, deixando um rastro de destruição.
Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea, do Earth Sciences New Zealand, destacou que as mudanças climáticas estão desestabilizando rochas e gelo em áreas montanhosas. “Isso torna mais frequentes os deslizamentos e os perigos em cascata, como os observados nesta semana”, afirmou.
Embora a causa exata do desastre ainda esteja sendo investigada, especialistas acreditam que uma avalanche de gelo e rochas nas encostas do pico Langtang Lirung, no Nepal, foi o gatilho para a tragédia. O deslizamento atingiu o rio Lhende Khola, no lado tibetano, causando danos significativos a pelo menos seis usinas hidrelétricas e à infraestrutura do Porto de Gyirong.
As consequências foram devastadoras, alterando os canais dos rios em mais de 100 km rio abaixo, próximo à fronteira com a Índia. Apesar dos alertas para não atribuir a mudança climática como a única causa do desastre, os cientistas concordam que o aumento das temperaturas e o derretimento das geleiras desempenharam um papel crucial.
O aquecimento global pode reduzir a sustentação que o gelo oferece em encostas íngremes, aumentando o volume de água do degelo e alterando os padrões de precipitação. Isso fragiliza as encostas montanhosas, tornando deslizamentos de terra mais prováveis. Cox ressaltou que eventos semelhantes, embora em menor escala, têm ocorrido na região nos últimos anos, como uma inundação em Gyirong em 2025 e o rompimento de um lago glacial na aldeia sherpa de Thame em 2024.
A frequência e intensidade de inundações, deslizamentos de terra e secas estão aumentando em toda a cordilheira Hindu Kush, representando uma ameaça significativa para a população local. O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod), sediado no Nepal, alerta que as rápidas mudanças na água, terra e ar são preocupantes para a segurança das comunidades.
Farooq Azam, especialista em criosfera do Icimod, enfatizou que o derretimento acelerado da neve, combinado com a atividade sísmica, pode ter desencadeado a avalanche que resultou na enxurrada devastadora. Em 2023, as Nações Unidas relataram que o aquecimento global fez com que as montanhas do Nepal perdessem quase um terço de sua cobertura de gelo em mais de três décadas, destacando a gravidade da situação.
Benjamin Horton, diretor da Escola de Energia e Meio Ambiente da Universidade da Cidade de Hong Kong, descreveu o desastre como um exemplo de “evento composto”, onde terremotos interagem com mudanças climáticas, criando desastres mais complexos e devastadores. Ele enfatizou a importância de entender esses riscos em cascata para aumentar a resiliência nas regiões montanhosas.
O cenário atual no Himalaia é um lembrete sombrio das consequências das mudanças climáticas e da necessidade urgente de ações para mitigar seus efeitos. A comunidade internacional deve se unir para enfrentar esses desafios e proteger as populações vulneráveis que habitam essas áreas montanhosas.




