Post: Migrantes buscam horários alternativos para jogar futebol amador em Nova York

Migrantes em Nova York buscam horários alternativos para jogar futebol amador, enfrentando desafios e mantendo viva a paixão pelo esporte.
Migrantes buscam horários alternativos para jogar futebol amador em Nova York

Cinco dias antes do início da Copa do Mundo nos Estados Unidos, o parque de Randall’s Island, em Nova York, foi palco de um emocionante duelo entre migrantes guatemaltecos que vestiam camisas do Palmeiras e da Juventus. A partida, que ocorreu no último domingo (7), não teve grande qualidade técnica, mas foi marcada por um gol memorável. Nolberto, jogador da Juventus, acertou um chute que explodiu no travessão e acabou entrando após bater nas costas do goleiro, garantindo a vitória por 1 a 0.

No entanto, a celebração foi breve. Às 9h, o campo estava reservado para um jogo infantil, e os responsáveis não hesitaram em levar as traves para o gramado, interrompendo a partida. Essa é a realidade enfrentada por muitos migrantes que, sem acesso à programação oficial dos parques municipais, que exige registro e pagamento de taxas que variam entre US$ 24 e US$ 56 por hora, precisam improvisar e jogar em horários alternativos.

É comum que as partidas comecem ao amanhecer, por volta das 6h, quando os jogadores chegam de bicicleta. No caso do jogo entre Palmeiras e Juventus, um dos companheiros de Nolberto teve que sair no intervalo para trabalhar como entregador, enquanto os demais deixaram o campo assim que foi ocupado por quem o havia reservado.

Os jogadores, desconfiados, evitaram dar entrevistas. Aqueles que vestiam a camisa do Palmeiras, ao serem questionados sobre a escolha do time, apenas disseram que gostavam do Brasil. Os vencedores, mais animados, aceitaram posar para uma foto com a icônica ilha de Manhattan ao fundo.

O parque de Randall’s Island, conhecido entre os jogadores que ali viveram, não é o único em Nova York que possui campos de futebol. De agosto de 2023 a fevereiro de 2025, o local abrigou um abrigo de emergência para 3.000 pessoas, em meio a uma crise migratória que sobrecarregou o sistema de acolhimento da cidade. As tendas foram montadas ao lado do Icahn Stadium, onde a seleção da Holanda jogou contra o Uzbequistão em um amistoso preparatório para a Copa, realizado na última segunda (8).

O Icahn Stadium, que substituiu o antigo Downing Stadium, onde Pelé fez sua estreia pelo New York Cosmos há 51 anos, é um símbolo da história do futebol na cidade. Assim, mesmo em meio a desafios, os migrantes continuam a encontrar formas de manter viva a paixão pelo futebol, aproveitando cada oportunidade para jogar e se conectar com suas raízes.

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