
O órgão eleitoral do Peru anunciou nesta segunda-feira (29) a conclusão da contagem dos votos da eleição presidencial, após semanas de revisões de cédulas contestadas. Com 100% da apuração, a candidata conservadora Keiko Fujimori obteve 50,13% dos votos, totalizando 9.223.396 sufrágios. Seu adversário, o esquerdista Roberto Sánchez, ficou com 49,86%, ou 9.173.755 votos, resultando em uma diferença de pouco mais de 49 mil votos entre os dois. Apesar do resultado, a autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente um vencedor, pois aguarda audiências finais sobre recursos apresentados pelos partidos.
O Conselho Nacional Eleitoral informou que os tribunais eleitorais estão no processo de análise das contestações e que o cronograma estabelecido permanece inalterado. A previsão é de que os resultados finais sejam divulgados por volta do dia 3 de julho, com a entrega das credenciais ao candidato vencedor marcada para o dia 15 do mesmo mês.
Após a contagem, Keiko expressou otimismo, afirmando que o Peru está “cada vez mais perto” de um “caminho de ordem”. Em suas redes sociais, ela destacou a importância da proclamação do órgão eleitoral e manifestou sua esperança de iniciar um novo capítulo para os peruanos.
A possível vitória de Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, sinaliza uma guinada à direita na política da América Latina, especialmente após a recente eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia. A preocupação com a criminalidade tem levado os eleitores a se voltarem para candidatos com propostas mais rígidas. Durante sua campanha, Keiko adotou uma agenda anti-imigração, refletindo um discurso mais radical, e prometeu expulsar cidadãos sem documentos, em um contexto onde a comunidade venezuelana no Peru é significativa, com cerca de 1,6 milhão de pessoas, das quais 14% estão sem residência autorizada.
Na economia, Keiko defendeu o legado de seu pai, que estabilizou a economia peruana por meio de políticas rigorosas e uma independência do Banco Central. Contudo, seu governo também foi marcado por repressões severas, incluindo massacres de civis. A candidata buscou se diferenciar de Sánchez, embora o adversário tenha moderado seu discurso durante a campanha. A expectativa agora é que a situação política do Peru se defina nas próximas semanas, com a possibilidade de reviravoltas até a proclamação oficial do vencedor.




