A Justiça de São Paulo homologou, nesta quinta-feira (30), o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que obteve o respaldo de 81,6% dos credores da empresa. O plano visa reestruturar uma dívida total de R$ 61,4 bilhões, em um momento em que a companhia enfrenta desafios financeiros significativos. Controlada pela Shell e pela Cosan, a Raízen tem passado por um processo de expansão acelerada, mas algumas de suas iniciativas, como a entrada no varejo, não trouxeram os resultados esperados.
Em comunicado, a empresa informou que todos os credores quirografários deverão optar por uma das duas alternativas de conversão de dívida, conforme estipulado pela legislação. O plano prevê que cerca de 45% das dívidas desses credores sejam convertidas em participação acionária, avaliada em R$ 0,25 por ação. Os 55% restantes serão reestruturados por meio de novos títulos de dívida, que podem incluir substituição, refinanciamento ou aditamento.
A Shell se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões na reestruturação, enquanto Rubens Ometto, da Cosan, está considerando injetar R$ 500 milhões. Paralelamente, a Raízen planeja um programa de desinvestimentos e a separação de suas operações de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar, que foram fundidas em 2011.
A homologação do plano é vista como um passo importante para restaurar a confiança dos stakeholders na solução consensual para o endividamento da Raízen, equilibrando suas necessidades de liquidez a curto prazo com uma estrutura de capital sustentável a longo prazo.
A gestora IG4, que tem se envolvido em grandes processos de reestruturação financeira no Brasil, estava em negociações para adquirir créditos da Raízen, mas ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto. No quarto trimestre da safra 2025/26, a empresa registrou um prejuízo de R$ 7,3 bilhões, quase o triplo do valor do mesmo período na safra anterior. No total, o prejuízo acumulado no ano-safra foi de R$ 27,1 bilhões, enquanto a dívida líquida da companhia atingiu R$ 58,2 bilhões, um aumento de 69,9% em relação ao ano anterior.




