A juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, derrubou na última sexta-feira (21) a suspensão da emissão de vistos para residência permanente nos Estados Unidos, uma medida que estava em vigor desde 21 de janeiro e que afetava cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. Em sua decisão, Vargas argumentou que a política violava a legislação vigente e ultrapassava a autoridade do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A restrição, que não se aplicava a turistas, estudantes em intercâmbio ou trabalhadores temporários, foi justificada pelo Departamento de Estado com a alegação de que imigrantes desses países representavam um alto risco de depender de assistência social ou se tornarem um peso para as finanças públicas.
Além do Brasil, a lista de países afetados incluía Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iémen. A juíza observou que os funcionários consulares estavam orientados a negar vistos de imigração com base exclusivamente na nacionalidade dos solicitantes, mesmo que estes cumprissem todos os outros requisitos exigidos para a obtenção do visto.
Com a decisão, qualquer negativa de visto baseada nessa política é revogada, embora o governo americano ainda tenha a opção de recorrer da decisão judicial. A política de restrição de vistos é parte de uma abordagem mais ampla do governo Trump, que tem enfatizado a deportação em massa e o endurecimento das regras de imigração. Em 2024, a campanha de Trump focou na promessa de deportações, o que resultou em um aumento significativo nas ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que deportou mais de 113 mil imigrantes entre janeiro e setembro de 2025, um aumento de 126% em relação ao ano anterior sob a administração de Joe Biden.
Além disso, o governo Trump está considerando equipar agentes de imigração com luvas que aplicam choques elétricos, uma medida que gerou preocupações sobre o uso excessivo da força. A Justiça americana tem barrado várias ações de Trump relacionadas à imigração, incluindo a anulação de uma taxa de US$ 100 mil imposta aos vistos H-1B, que foi considerada um imposto ilegal e não autorizado pelo Congresso. Essa série de decisões judiciais reflete um crescente desafio às políticas de imigração do governo, que têm sido alvo de críticas tanto por sua dureza quanto por sua eficácia.




