Januária, um dos portais de entrada do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, é um verdadeiro tesouro no coração do sertão mineiro. Reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o município foi recentemente visitado pelo Datafolha para a pesquisa Folha Top of Mind, destacando sua importância cultural e turística. As Grutas do Janelão, com impressionantes salões de até 180 metros, serviram de refúgio para personagens da obra-prima de Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”, que eternizou a paisagem sertaneja.
A descida para a caverna revela um mundo subterrâneo surpreendente. Ao longo de uma trilha bem marcada, os visitantes se deparam com um jardim natural que se ergue em direção às aberturas do teto, onde árvores de até 40 metros se destacam entre os paredões de pedra. O rio Peruaçu, que há milênios esculpiu essas cavernas, continua a ser um elemento vital da paisagem, trazendo vida e beleza ao local. A luz do sol, que atravessa uma claraboia em forma de coração, transforma a rocha e a vegetação em um espetáculo de cores que muda ao longo do dia.
O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu abriga mais de 200 cavernas catalogadas, mas a pesquisa ainda está longe de terminar. Estima-se que outras 1.400 cavidades possam estar escondidas na área. Entre as maravilhas naturais, destaca-se a Perna da Bailarina, a maior estalactite suspensa do mundo, com 28 metros de altura, comparável a um prédio de nove andares.
Criado em 1999, o parque se estende por 56 mil hectares, abrangendo três municípios: Itacarambi, Januária e São João das Missões. A diversidade de biomas, que inclui caatinga, cerrado e mata atlântica, é um atrativo à parte, assim como os cerca de 80 sítios arqueológicos com pinturas rupestres que datam de 500 a 11 mil anos atrás.
O reconhecimento internacional trouxe um aumento significativo no número de visitantes. Em 2025, o parque registrou 23.082 visitantes, um aumento de 58% em relação ao ano anterior. Para 2023, a expectativa é de que esse número ultrapasse 30 mil. O fluxo de turistas varia, com picos durante as férias de julho, quando o parque recebe quase 3.000 visitantes por dia.
A presença do parque impacta diretamente a economia local. Os moradores de Januária, uma cidade com cerca de 67.123 habitantes e PIB per capita de R$ 15.970,66, veem oportunidades de crescimento. Anthony César Alves Barbosa, integrante da brigada de incêndio do Peruaçu, destaca o privilégio de ter um parque tão rico em biodiversidade próximo de casa. “Com o reconhecimento internacional, a tendência é que mais pessoas venham, e onde há público, as grandes marcas precisam estar presentes”, afirma.
A cidade, que também é conhecida como a capital da cachaça artesanal do norte de Minas, se localiza em uma zona de transição entre o Sudeste e o Nordeste. O rio São Francisco, que corta a cidade, é um elemento central na vida local, com o Cais de Januária, tombado como Patrimônio Cultural de Minas Gerais, servindo como espaço de convivência e lazer.
A relação entre passado e presente é visível na avenida beira-rio, onde casarões históricos ainda resistem ao tempo, mesmo que muitos estejam abandonados. A cidade mantém sua essência, com um ritmo de vida tranquilo, onde os moradores são conhecidos por sua hospitalidade.
Entretanto, viver no sertão também apresenta desafios. Rosana Pereira Souza dos Santos, que trabalha em uma pousada nas proximidades do parque, menciona a dificuldade de acesso a serviços básicos, como creches, especialmente para quem precisa trabalhar e cuidar dos filhos. Apesar das dificuldades, a beleza natural e a riqueza cultural de Januária continuam a atrair visitantes e a moldar a identidade da região.




