Israel anunciou que permitirá a entrada de uma força de segurança multinacional em Gaza, conforme indicado em um plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi confirmada por uma autoridade israelense à agência de notícias Reuters neste domingo (26), véspera da viagem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Washington. O gabinete de segurança de Netanyahu aprovou o marco legal que possibilitará a entrada dessa força no território, segundo a fonte, que preferiu não ser identificada.
Netanyahu embarca para Washington nesta segunda-feira (27) e deve se encontrar com Trump na terça (28). A missão, chamada de Força Internacional de Estabilização, contará com 200 integrantes de países como Uganda e Marrocos, que atuarão em áreas fora do controle israelense. Cada contingente precisará de aprovação individual de Israel para entrar em Gaza, e ainda não há uma data definida para o envio das tropas.
A situação em Gaza continua crítica, com grande parte da região em ruínas após dois anos de conflitos intensos, que tiveram início com os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Após um acordo de cessar-fogo em outubro, Trump apresentou um plano de paz que inclui aumento da ajuda humanitária, administração civil por tecnocratas palestinos, desarmamento do Hamas e retirada das forças israelenses. No entanto, o plano permanece estagnado, e o grupo de tecnocratas, conhecido como Comitê Nacional para a Administração de Gaza, ainda não conseguiu entrar no território devido à falta de permissão de Israel.
Atualmente, Israel controla aproximadamente 64% de Gaza, enquanto a população de cerca de 2 milhões de habitantes vive majoritariamente sob a administração do Hamas, em condições precárias, muitas vezes em tendas improvisadas ou edifícios danificados. O Hamas, por sua vez, continua a se recusar a se desarmar, e Israel planeja expandir sua área de controle para 70% do enclave, mantendo ataques militares frequentes.
O plano de Trump também sugere a criação de um Conselho de Paz, que seria responsável pela implementação do acordo e pela supervisão da força de segurança, entre outras funções. Recentemente, o conselho anunciou a intenção de estabelecer uma zona-piloto humanitária para os habitantes de Gaza, como uma maneira de desbloquear o plano proposto pelo presidente americano. Nickolay Mladenov, enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza, elogiou a decisão de Israel, afirmando que é uma parte crucial do arcabouço acordado para estabilizar a região e facilitar a transição para uma administração palestina eficaz.



