As investigações da Polícia Federal (PF) revelam que Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), desempenhou um papel ativo nas cobranças ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Eduardo Mendonça Sodré Martins, que é advogado e atualmente ocupa a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, foi indicado ao cargo por Wagner e está no centro de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Sodré e sua esposa, Bonnie Bonilha, foram alvos de mandados de busca e apreensão. A empresa de Bonnie, a BN Financeira Ltda., recebeu repasses de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, vinculada à operação Credcesta. A BN Financeira foi constituída como microempresa, mas apresenta movimentações financeiras que não condizem com sua estrutura operacional.
De acordo com a PF, Eduardo Sodré era responsável por realizar cobranças ao banqueiro, mencionando a necessidade de pagamentos de boletos e notas fiscais. Em uma mensagem enviada a Augusto Lima em setembro de 2025, ele alertou sobre a proximidade do vencimento dos boletos, enquanto Lima relatou dificuldades financeiras devido ao veto do Banco Central à venda do Banco Master para o BRB.
Além disso, foram encontradas planilhas no celular de Daniel Lopes Monteiro, associado a Augusto Lima, que continham pagamentos de R$ 2,3 milhões a um indivíduo identificado como “Dudu”, que, segundo a investigação, se refere a Eduardo Sodré.
O Credcesta, um cartão consignado com benefícios para servidores, foi privatizado em 2018 na gestão do ex-governador Rui Costa (PT). A empresa que opera o Credcesta possui exclusividade no governo da Bahia por 15 anos, com uma taxa de juros de 4,7%, o que compromete 30% da renda dos servidores. No entanto, Augusto Lima enfrenta dificuldades para manter a operação do Credcesta em escala nacional e busca recursos para continuar suas atividades na Bahia.


