Post: Inteligência artificial pode aumentar produtividade da América Latina em até 3,2% ao ano, aponta estudo

inteligência - Estudo revela que a IA pode aumentar a produtividade da América Latina em até 3,2% ao ano, destacando desafios e oportunidades.
Inteligência artificial pode aumentar produtividade da América Latina em até 3,2% ao ano, aponta estudo

A América Latina, historicamente conhecida por seu crescimento impulsionado pela expansão da força de trabalho, pode estar à beira de uma transformação significativa com a adoção da inteligência artificial (IA). Um estudo recente do Fórum Econômico Mundial, apresentado no Rio de Janeiro, revela que a implementação de medidas estruturais voltadas para a tecnologia pode elevar a produtividade da região entre 1,9% e 2,3% anualmente até 2030.

O relatório, intitulado “América Latina na Era Inteligente” e desenvolvido em parceria com a McKinsey & Company, destaca que esse aumento de eficiência poderia injetar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão na economia local. Esse avanço é considerado crucial, especialmente em um momento em que o “bônus demográfico” — o crescimento da população em idade ativa — começa a se esgotar nos principais países da região.

Para que esse potencial se concretize, no entanto, são necessárias mudanças significativas. A qualificação de profissionais para operar novos sistemas e integrar a IA com as estruturas existentes é uma das principais exigências. O estudo aponta que a América Latina tem se consolidado como um polo de exportação de serviços tecnológicos, o que, por sua vez, eleva os salários e dificulta a retenção de talentos nas empresas nacionais, especialmente as de menor porte.

Além disso, o investimento em infraestrutura e fornecimento de energia é vital para suportar os modelos avançados de IA, que demandam processamento de dados em larga escala. Isso é particularmente relevante para setores pesados, como mineração e agricultura industrial. Sem resolver esses gargalos, o crescimento da produtividade pode se restringir a grandes cidades e multinacionais, aumentando a desigualdade produtiva na região.

O estudo também revela uma discrepância preocupante entre o entusiasmo pela tecnologia e os resultados financeiros tangíveis. Atualmente, apenas 23% das organizações na América Latina conseguem gerar valor econômico com a IA, e apenas 6% relatam uma criação de valor considerada “significativa”. A maioria das empresas ainda utiliza a IA de forma fragmentada, focando em ferramentas isoladas, como assistentes de texto ou geradores de código, em vez de reestruturar seus modelos de negócios com base na tecnologia.

O setor financeiro se destaca como uma exceção, utilizando a IA para análise de crédito e sistemas avançados de prevenção a fraudes. Além dele, a indústria manufatureira e a logística emergem como as próximas grandes fronteiras de valor. O relatório sugere que a aplicação de IA preditiva na cadeia de suprimentos e na manutenção de maquinário pesado pode reduzir os custos operacionais em até 15%. Outro ponto importante abordado no estudo é o “paradoxo da sustentabilidade” enfrentado pela região. Apesar de a América Latina ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, a infraestrutura de transmissão atual não está preparada para suportar a demanda crescente por novos data centers, essenciais para a IA. Os pesquisadores enfatizam que os países que conseguirem integrar fontes renováveis diretamente aos centros de processamento de dados terão uma vantagem competitiva significativa, atraindo investimentos globais em tecnologia nas próximas décadas.

Últimas Notícias