A Índia está acelerando um plano ambicioso para formar uma aliança informal com países do Indo-Pacífico, visando cercar sua principal rival geopolítica, a China. O primeiro-ministro Narendra Modi, em meio a uma crescente atenção global para o Oriente Médio e protestos internos, tem buscado fortalecer laços com nações vizinhas, como Vietnã, Indonésia e Japão. Desde maio, Modi tem realizado uma série de visitas e reuniões, firmando acordos de cooperação econômica e militar que incluem a venda do míssil de cruzeiro BrahMos, um produto russo-indiano. Esses países, que compartilham desconfiança em relação à China, têm uma geografia estratégica que pode impactar as rotas marítimas chinesas.
A estratégia indiana, segundo especialistas, busca criar uma coalizão mais flexível, que possa constranger a China sem a necessidade de alianças formais. Kanti Bajpai, professor de relações internacionais da Universidade Ashoka, destaca que a Índia não possui a capacidade militar ou econômica para se opor diretamente à China, mas pode atuar em conjunto com outras nações. A criação do Quad, um grupo de segurança que inclui Estados Unidos, Japão e Austrália, também faz parte desse esforço de contenção. Apesar do fortalecimento das Forças Armadas indianas, que possuem cerca de 190 ogivas nucleares, a Índia ainda se mostra cautelosa em relação a uma escalada militar com a China. As tensões nas fronteiras, que resultaram em confrontos em 2020 e 2022, ainda são um assunto delicado em Nova Déli. A reaproximação entre os dois países, que se encontraram após cinco anos, é um indicativo de que, apesar da rivalidade, há um desejo de manter canais de comunicação abertos, especialmente no contexto do Brics, do qual ambos são fundadores. Essa abordagem equilibrada é vista como uma forma de garantir segurança e estabilidade na região, enquanto a Índia continua a navegar por um cenário geopolítico complexo e em constante mudança.



