Post: Estudo revela que 95% das empresas podem ter notas fiscais rejeitadas pela reforma tributária

imposto - Estudo aponta que 95% das empresas brasileiras correm risco de ter notas fiscais rejeitadas pela reforma tributária.
Estudo revela que 95% das empresas podem ter notas fiscais rejeitadas pela reforma tributária

Cerca de 95% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para atender a uma das primeiras exigências práticas da reforma tributária: a atualização dos cadastros fiscais. Essa atualização é necessária para incluir novos campos nas notas fiscais, que devem conter a alíquota teste de 1%, sendo 0,1% referente ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e 0,9% à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Os dados são de um levantamento realizado pela empresa de tecnologia tributária IOB, que entrevistou 967 empresas de diferentes portes e regimes tributários entre 8 de abril e 6 de maio deste ano. O estudo aponta que apenas 5,18% dos entrevistados já adequaram seus cadastros para cumprir essa exigência.

Essa situação gera preocupação, uma vez que, de acordo com a Receita Federal e o CGIBS (Comitê Gestor do IBS), a partir de 3 de agosto de 2026, notas fiscais emitidas por empresas do regime regular que não apresentarem essas informações serão automaticamente rejeitadas pelos sistemas. A rejeição dos documentos fiscais pode acarretar atrasos nos faturamentos, impedir o transporte de mercadorias e comprometer a prestação de serviços.

Atualmente, não há recolhimento do IBS e da CBS, que são os novos tributos criados pela reforma tributária. O início da cobrança está previsto para 1º de janeiro de 2027. A inclusão da alíquota nas notas fiscais é uma medida temporária, utilizada pelo governo para calibrar o sistema e cruzar dados de créditos e débitos.

O estudo revela que, além do baixo nível de preparação, 48,29% dos entrevistados não sabiam que a falta de preenchimento dos novos campos tributários poderia impedir a emissão de notas fiscais, gerando impactos diretos nas operações. Outros 25,18% afirmaram conhecer o tema, mas ainda não iniciaram a preparação para a reforma tributária. Já 21,35% declararam ter pouca informação, mas estão estudando os impactos da mudança.

Osvaldo Meneghel, diretor de produto da IOB, destaca que muitas empresas ainda veem a reforma tributária apenas como uma alteração na legislação, sem considerar os impactos operacionais e financeiros que a adaptação fiscal pode acarretar. “A reforma tributária muda a lógica operacional da emissão de notas fiscais. O preenchimento correto das informações tributárias é essencial não apenas para evitar multas, mas também para garantir o correto recolhimento dos tributos e a continuidade das operações das empresas”, afirma.

O levantamento também identificou que 64,7% dos entrevistados gostariam que a atualização das informações fiscais de produtos cadastrados fosse feita automaticamente. Além disso, 29,52% disseram não saber como realizar a atualização, enquanto apenas 5,78% pretendem fazer as alterações manualmente. Meneghel ressalta que os resultados mostram uma tendência crescente entre os empreendedores em busca de soluções de automação tributária que possam reduzir inconsistências e simplificar processos fiscais. “As empresas perceberam que controlar manualmente milhares de regras tributárias será cada vez mais inviável. Nesse contexto, a tecnologia, aliada a uma base de informações confiáveis, se tornará essencial para a adaptação às novas exigências fiscais.”, conclui.

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