O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta terça-feira (9) que irá submeter ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) uma proposta para aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% (E30) para até 32% (E32). Essa iniciativa atende a uma demanda do setor de biocombustíveis e deve ser avaliada nos próximos 15 dias. A declaração foi feita após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros ministros e líderes de associações do setor no Palácio do Planalto.
Silveira destacou que, embora os estudos técnicos indiquem que a mistura poderia chegar até E35, a proposta atual se limita ao E32. “Foi uma reivindicação trazida hoje pelo setor”, afirmou. A medida faz parte da agenda de descarbonização e busca fortalecer a segurança energética do país, impulsionada pela Lei Combustível do Futuro, que incentiva o uso de combustíveis sustentáveis. O ministro ressaltou que o aumento da mistura deve reduzir a dependência externa do Brasil, com uma economia estimada em 450 milhões de litros de gasolina importada.
“É segurança energética, é modicidade no preço do combustível, é descarbonização, é desenvolvimento nacional, é mais plantio, é mais emprego, é mais renda. São políticas públicas focadas no desenvolvimento do país”, enfatizou Silveira, ressaltando que a proposta também visa minimizar as oscilações de preço dos combustíveis provocadas por conflitos internacionais.
Representantes da indústria de biocombustíveis que participaram da reunião consideraram o encontro muito produtivo, reforçando o papel do etanol na segurança energética e na redução dos preços ao consumidor. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, explicou que, atualmente, o litro do etanol custa em média R$ 2,40 a menos do que o litro da gasolina. Ele destacou que um aumento de 2% na mistura traria uma redução equivalente para o consumidor.
Gussi também mencionou que, desde o início do conflito no Irã, a diferença de preço entre etanol e gasolina gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões para os consumidores brasileiros, evitando um gasto de R$ 8 bilhões em importações de gasolina. Sobre a viabilidade técnica da nova composição do combustível, ele garantiu que a mistura de 32% já foi testada com sucesso quando houve o aumento para 30% em junho do ano passado.
Além disso, Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil, afirmou que as políticas públicas implementadas nos últimos anos têm impulsionado o setor. Para este ano, ele projeta um acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol na produção. “É uma oportunidade para o Brasil, para descarbonizar ainda mais a nossa matriz de transporte, e para o consumidor brasileiro é um excelente momento de optar por etanol, que está mais barato do que a gasolina em diversas regiões”, concluiu Campos.




