Post: Governo pretende alterar regras da renegociação de dívidas do agro para facilitar acesso ao crédito

Governo planeja mudanças nas regras de renegociação de dívidas do agro para facilitar acesso ao crédito e atender demandas do setor.
Governo pretende alterar regras da renegociação de dívidas do agro para facilitar acesso ao crédito

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está se preparando para implementar mudanças nas regras de renegociação de dívidas rurais, com o objetivo de facilitar o acesso dos produtores às linhas de crédito. A medida provisória (MP) que instituiu o programa foi negociada com a bancada do agronegócio e publicada em julho, mas, até o momento, os resultados têm sido insatisfatórios. Os primeiros pedidos de renegociação começaram apenas em agosto, após a publicação de uma portaria do Ministério da Fazenda e de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que estabeleceu as regras para as operações.

O diagnóstico do setor e das instituições financeiras é que o fluxo de recursos está aquém do esperado, o que pode prejudicar as contratações de crédito para financiar a safra 2026/2027. Entre as mudanças propostas, está a inclusão de dívidas não bancárias e operações de crédito comum que foram contratadas para quitar dívidas rurais. O relatório do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que é líder do governo na Câmara, contém dez alterações na MP vigente.

Uma das principais alterações é a inclusão das Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas por cooperativas ou fornecedores de insumos, além daquelas negociadas com instituições financeiras. Essa inclusão é uma demanda da bancada do agro, que argumenta que o endividamento do setor rural vai além dos bancos. No entanto, a equipe econômica se opôs a essa extensão durante as negociações.

O governo estima que a renegociação custará R$ 48,29 milhões em 2026, com a equalização de juros na prorrogação das operações. O relatório de Pimenta reconhece que, se aprovado, o novo texto ampliará a renegociação, mas não apresenta um cálculo atualizado do custo. O parlamentar argumenta que a implementação das medidas dependerá da disponibilidade orçamentária.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende a simplificação dos atestados para comprovar prejuízos, além da liberação de laudos coletivos para pequenos produtores. Atualmente, apenas aqueles que comprovarem uma perda de renda bruta de 30% em duas safras têm acesso ao programa. Pimenta acredita que, com as mudanças, 80% dos impedimentos serão eliminados.

Outra alteração proposta é a prorrogação do marco temporal para a renegociação, que atualmente está definido até 31 de maio, mas pode ser estendido até 31 de agosto. Essa mudança visa incluir contratos que vencem em julho e agosto, aumentando a elegibilidade para a renegociação. Além disso, o novo texto prevê a inclusão de dívidas rurais convertidas em Cédula de Crédito Bancário (CCB), permitindo a renegociação de créditos que foram contratados até 31 de dezembro de 2025 para cobrir dívidas rurais.

O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio brasileiro, informou que iniciou as contratações em 26 de agosto, tendo identificado 5.000 operações em fase de documentação e negociação. No entanto, o volume de operações é considerado baixo pelo setor. O Sicredi, por sua vez, já iniciou 10 mil operações visando renegociar R$ 2,6 bilhões em dívidas, mas também identificou problemas no enquadramento das dívidas passíveis de renegociação.

A FPA, por sua vez, já reuniu assinaturas de 40 entidades para pressionar pela votação da medida provisória antes do fim de sua validade, que se aproxima no início de novembro. A expectativa é que a análise da MP comece após o primeiro turno das eleições.

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