O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) expressou sua preocupação durante a sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, realizada na quarta-feira (10), em relação a uma proposta do governo do estado que visa restringir o uso de biomassa nativa para abastecimento industrial. Segundo Cattani, essa medida pode ter consequências prejudiciais para o setor florestal, afetando diretamente produtores rurais e madeireiras, além de comprometer áreas de manejo sustentável.
Ao abordar a proposta que incentiva o uso exclusivo de biomassa proveniente de florestas plantadas, o deputado reafirmou seu apoio ao reflorestamento, mas enfatizou que não se deve sacrificar atividades já estabelecidas no estado em prol de novas iniciativas. “Acredito que devemos, sim, promover as florestas plantadas. O reflorestamento deve ser incentivado pelo Estado. No entanto, não podemos acabar com um setor para promover outro”, declarou Cattani.
O parlamentar ressaltou a importância do manejo florestal sustentável, afirmando que essa prática contribui para a conservação ambiental. “Quando se realiza um manejo adequado, o meio ambiente não é agredido; pelo contrário, ele é beneficiado”, afirmou.
Cattani também levantou preocupações sobre os impactos que uma eventual restrição poderia causar aos produtores que, conforme a legislação, têm o direito de abrir áreas de floresta. Ele questionou: “Se alguém comprou uma área de mata e tem direito de abrir 20% dessa área, será que daqui a dez anos essa pessoa será impedida de fazê-lo? E o que acontecerá com a biomassa que já foi colocada no chão?”.
Durante seu discurso, o deputado mencionou ainda o aproveitamento de resíduos gerados pelas serrarias e alertou sobre o que considera um possível retrocesso ambiental. “Vamos ter que voltar a queimar resíduos das serrarias para gerar carbono? Estamos prestes a retroceder na questão florestal do nosso estado?”, indagou.
Esse debate ocorre em meio a discussões sobre um acordo entre o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual, que visa regulamentar o uso da biomassa e garantir o abastecimento da indústria. Cattani afirmou que acompanhará de perto o tema e que a Assembleia Legislativa poderá tomar medidas caso alguma proposta prejudique o setor. “Se um decreto do Governo do Estado chegar a esta Casa, com certeza teremos um decreto legislativo para sustá-lo, pois não podemos permitir que um setor tão importante como o agroflorestal do nosso estado pereça”, concluiu o deputado.


