A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, voltou a criticar o presidente da Fifa, Gianni Infantino, após a desistência do plano que permitiria investimento privado na Copa do Mundo. O órgão europeu expressou sua desconfiança em relação a Infantino, afirmando que ele perdeu a confiança não apenas da Uefa, mas de muitos outros membros da comunidade futebolística, devido ao que chamou de “acordo obscuro, de bastidores e pouco transparente”.
A reação da Uefa ocorreu logo após Infantino anunciar o recuo, um movimento considerado humilhante, especialmente após uma forte oposição ao plano, que havia sido revelado na terça-feira. Em um comunicado, Infantino afirmou que seu objetivo sempre foi “unir e melhorar” o futebol, mas a Uefa deixou claro que o dirigente não cumpriu promessas feitas durante sua primeira eleição em 2016, especialmente no que diz respeito à transparência e ao uso dos recursos da Fifa em benefício das associações-membro.
O plano, que previa a criação da FFE (Fifa Forward Enterprise), uma nova subsidiária comercial, tinha como objetivo arrecadar até US$ 4,2 bilhões e prometia um pagamento único de US$ 20 milhões a cada uma das 211 associações-membro da Fifa, caso fosse aprovado. No entanto, a proposta gerou divisões significativas entre as confederações, levando à sua retirada. A Uefa enfatizou que a atual liderança da Fifa não apenas perdeu sua confiança, mas também a de outras entidades do futebol mundial.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf, que inclui os coanfitriões da próxima Copa do Mundo, também manifestaram apoio à retirada do plano, ressaltando a necessidade de que qualquer iniciativa que impacte o futebol mundial seja discutida de forma transparente com todas as partes interessadas. A Conmebol, por sua vez, pediu mais informações sobre o escopo e os possíveis efeitos do projeto.
A pressão sobre Infantino aumentou com a renúncia de Carlos Cordeiro, conselheiro sênior da Fifa, que criticou o plano como um “mau negócio” para as associações-membro. Em sua declaração sobre o fim do projeto, Infantino reconheceu que o plano criou divisões que já não atendiam ao objetivo inicial de fortalecer as associações-membro. Ele afirmou que agora se concentraria em restaurar a harmonia entre as partes interessadas e promover o crescimento do futebol, especialmente em países que mais necessitam de apoio. A situação levanta questões sobre a liderança de Infantino e sua capacidade de unir a comunidade do futebol em um momento em que a transparência e a confiança são mais necessárias do que nunca.




