A confiança dos torcedores brasileiros em sua seleção para a Copa do Mundo pode não estar em seu melhor momento, mas a paixão pelo Brasil continua a ressoar em diversas partes do mundo. Países como Bangladesh, Índia, Paquistão, Haiti, Jamaica, República do Congo e até mesmo Vanuatu, uma pequena nação insular do Pacífico, demonstram um amor incondicional pela seleção canarinho.
Essa devoção, em alguns casos, rivaliza com a que é dedicada à Argentina, refletindo a tradicional rivalidade entre as duas nações sul-americanas, especialmente após a conquista da Copa do Mundo de 2022. O fenômeno pode ser amplamente atribuído ao legado de ícones do futebol brasileiro, como Pelé, Zico, Romário, Ronaldinho e Ronaldo, que elevaram a seleção a um status quase mitológico no mundo do esporte.
Danilo Ramos, integrante do Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcida da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que tanto os craques do passado quanto os novos talentos, como Endrick, contribuem para a disseminação da cultura esportiva brasileira. “Quando se fala do futebol brasileiro, ainda existe essa magia, a expectativa de que teremos um jogador diferenciado, capaz de realizar um drible impressionante ou uma jogada mágica no momento decisivo”, afirma o pesquisador.
Em Bangladesh, a Universidade de Daffodil, localizada na capital Daca, decorou seu campus com bandeiras das seleções para celebrar o início da Copa do Mundo. Brasil e Argentina se destacam entre as preferidas, e a universidade montou um telão para que alunos, professores e funcionários pudessem acompanhar os jogos. Os gols de Messi, considerado o maior artilheiro da história das Copas, provocaram reações efusivas entre os torcedores presentes.
Os fãs bengalis também mantêm perfis ativos nas redes sociais, como o cbf.bangladeshofficial, que, com 23,8 mil seguidores, se apresenta como a “presença não oficial da CBF em Bangladesh”. O perfil registra as manifestações de apoio à seleção brasileira em várias partes do país.
Ramos destaca a importância das redes sociais na ampliação do interesse internacional por Brasil e Argentina. “As informações circulam sem fronteiras, e nossos principais jogadores estão nas ligas europeias, como a Premier League, que é a mais assistida no mundo. Isso cria uma identificação que leva os torcedores a apoiar a seleção que representa esses atletas”, explica.
Messi e Neymar, dois dos jogadores mais lembrados por essas torcidas, atuam atualmente em clubes nos Estados Unidos e no Brasil, mas ambos têm uma longa trajetória em times europeus, como Barcelona e PSG. Durante os dias de jogo, os torcedores de Bangladesh se mobilizam, levando faixas, carros de som e placas com referências à seleção brasileira para as ruas.
Na Somoy TV, um canal de televisão local, apresentadores têm usado camisas das seleções durante a cobertura dos jogos, reforçando a conexão emocional que esses torcedores têm com a equipe brasileira. Essa paixão transcende fronteiras e mostra como o futebol é um poderoso elo entre culturas e nações, unindo pessoas em torno de um mesmo amor: a seleção brasileira.




