A eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo gerou uma onda de insatisfação entre os torcedores, que, em sua maioria, responsabilizam os jogadores pela queda. Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, 47% dos entrevistados acreditam que os atletas têm mais culpa do que o técnico Carlo Ancelotti, que recebeu 22% das menções como responsável pela derrota. Outros 18% dos participantes atribuíram a culpa à diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O levantamento, realizado nos dias 22 e 23 de julho, ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa reflete um sentimento de decepção com a performance da seleção, que foi eliminada pela Noruega, um adversário considerado de menor tradição no futebol mundial.
A avaliação da participação do Brasil na Copa foi amplamente negativa. Para 36% dos entrevistados, a campanha foi muito abaixo do esperado, enquanto 24% a consideraram apenas um pouco abaixo das expectativas. Apenas 5% acreditaram que o resultado foi um pouco acima do que imaginavam, e 3% ficaram muito satisfeitos, indicando que esperavam uma performance medíocre.
A trajetória da seleção até a Copa foi marcada por instabilidades, incluindo a troca de comando na CBF, onde Ednaldo Rodrigues foi afastado judicialmente e substituído por Samir Xaud. O novo presidente apresentou Ancelotti como técnico, que, embora renomado, ainda não tinha um conhecimento profundo do futebol brasileiro. Essa falta de familiaridade pode ter contribuído para a insatisfação com seu trabalho.
Apesar da eliminação precoce, a avaliação de Ancelotti não é tão negativa quanto a de seus antecessores. Apenas 32% dos entrevistados consideraram seu trabalho ruim ou péssimo, um número inferior ao de Tite após a Copa de 2022, que registrou 38% de desaprovação. Em comparação, Luiz Felipe Scolari, após o famoso 7 a 1, teve 49% de avaliações negativas.
Contudo, a percepção sobre Ancelotti piorou após o Mundial. Em abril, apenas 12% o consideravam ruim ou péssimo, mas esse número subiu para 32% após a Copa. A avaliação positiva do trabalho do técnico também caiu, passando de 28% para 22%.
A pesquisa revela um cenário complexo para o futuro da seleção, com 51% dos entrevistados defendendo a permanência de Ancelotti até o Mundial de 2030. A insatisfação com a equipe e a pressão por resultados positivos nos próximos anos são desafios que o técnico e a CBF terão que enfrentar.




